Hello Madrid! / ¡Hola Madrid!

Hi guys.

I can start this post by saying that a have a quite a lot a reasons why I’m a bit crazy, and one of them is the fact that I actually took two huge suitcases on a train to Madrid.

I found my compartment to be shared with two very nice old ladies, who became even nicer for not complaining about the space they were deprived of because of my suitcases, unlike the ticket man that complained all the time and didn’t even help! The funny thing was that I got to spend some time talking a mixture of Portuguese and Spanish because none of those ladies seemed to decide whether they talked one or the other. They were travelling to Spain on vacation, but essentially to visit their families that had to emigrate there, because there were no opportunities in the job market for them. It’s similar to my situation really. Well, sort of.

Let’s talk a bit about this. I suppose it would be very cool to actually finish a degree in Portugal and have suitable job openings without any kind of exploitation, to not make us consider leaving our home and country. In part that’s exactly my story: there’s no employment in my field of study – not only because of the economic crisis, but also because it’s a difficult field itself -, and after throwing into the trash the offers that suck for all valuable reasons, you end up with very few options that are clogged with thousands of applicants who are all looking for the same thing, a job. The other side of my story is that I studied International Relations because I wanted to see the world, participate in all kinds of adventures, experience everything that’s new and worth of creating a memory; get an international job, work for the international community would be pure heaven. So, I don’t have a job in Portugal, but that doesn’t bother me much, compared to others, because I essentially look for opportunities outside of Portugal. Of course in the beginning it takes some time to get used to it (remember my frustrations with Brazil?), but after a while everything gets right back into its place and you have the best time ever.

Anyway, this trip was pretty much trying to get some sleep. I was tired enough and the sound of the train sliding through the track made all the surrounding quite like a lullaby. So I did sleep, it wasn’t like sleeping in my lovely awesome bed, but pretty good for a train.

When I arrived in Madrid around 9 a.m., I immediately regretted the suitcases. To take the bags out of the train was complicated enough, so when I got them all out I was already sweating like a marathon athlete. Then I had to take some time to bring the baggage to the first taxi that I could find. Everything always works out great, and I ended up almost circulating the entire station to find a taxi, only to have a middle aged man with a moustache (who knew right? Almost a cliché) complaining again about how heavy my suitcases were.

I’d just arrived, and I was determined to make the first day as fun as I could, so I just teased the man. “So, Mr., I’m a girl, and a girl must always pack all the diverse clothes, fabulous shoes, and colourful make up, to be ready to go into society. I also had to bring my massage inflatable maîtres and my yoga tapes to reduce stress of working too much!” For the ones who know me, you pretty much know that’s quite the opposite of me, but I think the taxi man just became more confused. Maybe my Spanish was not clear enough.

As I crossed the streets of Madrid I got a bit excited. The Tetuán district and surroundings are some kind of a New York small neighbourhood, mixed with London and Porto. Weird combination but that was my first impression. It was about the colours of the buildings, the people in the streets, the stores and the trees.

I got out of the taxi right at my door. Probably trying to avoid carrying the suitcases for a few meters to the door, I actually took the time to enjoy the feeling of being, once again, in a different town, with the awesome sensation of not having any idea of what was going to happen.

Took a deep breath and looked around to the stores, to the trees, to the cars, to the people, who had no idea this girl had just arrived to a new house in a new country.

Smile: I’m getting to know Madrid, and Madrid is getting to know me.

 

¡Hola Madrid!

See you guys in the next post.

Ana.

P.S.: I should have done this a while ago but please know that anything you might want to comment or whatever, feel free to contact me!


Olá Pessoal.

Posso começar este post a dizer que sou maluca por muitas razões, e uma delas é pelo facto de ter trazido duas malas gigantes num comboio para Madrid.

Fiquei a saber que iria partilhar o meu compartimento com duas senhoras já de uma certa idade muito simpáticas, que se tornaram ainda mais simpáticas por não se queixarem de serem privadas do seu espaço por causa das minhas malas, ao contrário do pica que só se sabia queixar e nem quis ajudar. A parte engraçada é que passei boa parte do tempo a falar uma mistura de Português e Espanhol porque nenhuma das senhoras parecia decidir-se qual das línguas queria falar. Estavam ambas a viajar para Espanha em férias, mas para visitar a família que teve de emigrar, porque não tinham oportunidades no mercado de trabalho. A situação é semelhante à minha. Bem, mais ou menos.

Vamos falar sobre isto. Suponho que seria altamente acabar um grau académico em Portugal e ter logo vagas de emprego adequadas, sem qualquer tipo de exploração, para não considerarmos deixar a nossa casa ou país. Em parte, é exactamente essa a minha história: não há emprego na minha área de estudo – não apenas devido à crise económica, mas também porque já por si só é uma área difícil -, e depois de atirar para o lixo as ofertas que não prestam por uma boa quantidade de razões, acaba-se com muito poucas opções, que estão congestionadas com centenas de candidatos à procura do mesmo, de um emprego. O outro lado da minha história é que eu estudei Relações Internacionais porque queria ver o mundo, participar em todo o tipo de aventuras, experimentar tudo o que seja novo e que valha a pena criar memória; ter um emprego internacional, trabalhar para a comunidade internacional seria o céu. Conclusão, eu não tenho emprego em Portugal, mas isso não me incomoda muito, em comparação com outros, porque procuro essencialmente oportunidades fora de Portugal. Claro que no início leva algum tempo até me habituar (lembram-se das minhas frustrações no Brasil?), mas passado algum tempo tudo se encaixa no sítio e é tudo altamente.

Enfim, a viagem foi passada a tentar dormir. Estava cansada o suficiente e o som do comboio a deslizar sobre a via férrea fez com que tudo parecesse uma canção de embalar. Então acabei por dormir, não como se estivesse na minha querida e espectacular cama, mas bem para um comboio.

Quando cheguei a Madrid por volta das 9h, arrependi-me imediatamente de ter trazido aquelas malas. Para as tirar do comboio foi complicado o suficiente, e quando completei a tarefa estava já a suar como um atleta olímpico. Tive de dedicar algum tempo a trazer a bagagem até ao primiro taxi que consegui encontrar. Como tudo corre sempre bem, quase que circulei a estação toda até encontrar um táxi, para me calhar um homem de meia idade com um bigode (quem diria! Quase um cliché) a queixar-se outra vez do quão pesadas as minhas malas eram.

Tinha acabado de chegar e estava determinada a fazer do primeiro dia o mais divertido possível, portanto brinquei um pouco com o homem. “Então, caro senhor, eu sou uma menina, e uma menina precisa sempre de trazer as suas roupas, os seus sapatos fabulosos, e a sua maquilhagem colorida, para estar pronta para se apresentar em público. Tive também de trazer o meu colchão de massagens insuflável e as minhas cassetes de yoga para reduzir o stress do trabalho!” Para aqueles que me conhecem, sabem perfeitamente que não tem nada a ver comigo, mas acho que o homem só ficou mais confuso ainda. Se calhar o meu espanhol não foi claro o suficiente.

Asim que atravessava as ruas de Madrid estava cada vez mais entusiasmada. O distrito de Tetuán e arredores parecem uma pequena vizinhança de New York, misturada com Londres e Porto. Uma combinação estranha, mas foi a minha primeira impressão. Era pelas cores dos edifícios, pelas pessoas na rua, pelas lojas e pelas árvores.

Saí do taxi mesmo em frente à minha porta. Estava provavelmente a empatar ter de carregar as malas até à porta do prédio, mas parei um pouco para desfrutar daquele sentimento de estar, mais uma vez, numa cidade diferente, com aquela sensação altamente de não ter qualquer ideia do que vai acontecer a seguir.

Inspirei e observei as lojas, as árvores, os carros, as pessoas, que não faziam ideia de que esta rapariga tinha acabado de chegar à sua nova casa num novo país.

Sorri: Vou conhecer Madrid, e Madrid vai-me conhecer.

 

¡Hola Marid!

Até ao próximo post.

Ana

P.S.: Já o devia ter feito há algum tempo, mas saibam que algo que queiram comentar ou dizer, estejam a vontade para contactar!

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Goodbye Portugal! / Adeus Portugal!

Hi guys. I know I said that after my last post I would have time to come here and write, but I was wrong.

The time flew as I was getting ready to change countries once again for 6 months. It was an entire month of goodbyes and planning and organizing stuff, of a few cries and deal breakers. The month of June was a huge pile of emotions and things to do, essentially to say goodbye and prepare for the new adventure.

In the beginning of June I actually had the chance to see one great friend getting married. I have to admit that I left my tears go down my face. I was a bit surprised, for I’m not the person to cry on weddings, but as I was watching a girl with whom I grew up with, in a huge beautiful wedding dress, walking down the aisle with the happiest smile of all time, it was impossible for me not to get emotional and cry like there was no tomorrow. That day was one of those days to remember!

The priest thought he was very funny and actually spoke divorce in the middle of a very confusing sermon. Only god knows what was going on in his head! I lost count of how many gins I drank (during the party) and I taught my friend Pedro to dance Samba. I found in the middle of the desert table a very god cheesecake and a space in my not so much resistant stomach to eat it, because we can’t ever say no to cheesecake. The night ended with fireworks thrown into the air to celebrate the union of one more couple. I handled wearing a dress for the entire day and sandals with a tiny bit of a heel. But, as a confession, I did think a few times about my All-Stars, and why I love them so much, they are comfortable!

Other thing that made June quite special was the fact that I spent my first day of the year, and probably the only one, on the beach. Espinho it’s known for its terrifying north wind and freezing waters, but I had this amazing luck of not catching one single breeze and the water, despite of being extremely cold, was very agreeable. I took my first dive and enjoyed one last time before leaving this part of Espinho which everybody, somehow, loves. I also took the day to bring Kelly, a new friend, to see the beach and try out the freezing water.

Kelly is my grandma’s recently adopted dog. She spent her first three years of life trapped in a balcony, and when I first started walking with her she was afraid of everything, including feet and grass. After a few months, I took her to the beach and gave her a taste of freedom and sea water and I think she liked it. I greatly miss my best friend, but now I can give my love to this new friend that also needs it.

My last weekend was also pretty awesome. I said goodbye to Capoeira but only to start again in Madrid, in a different group, because there’s no Senzala in Madrid (for now!). The Group in Porto got a very nice surprise from the Master Pélé who came to participate in our circle of Capoeira, and give us motivation to continue. Unfortunately, I came to know that my Professor, Pedro, was a bit demotivated with the way things are going on, because we’re still a very small group. Even so, that circle was so motivating, so invigorating and so fun that I truly believe Pedro gained a lot of strength for what is coming next year, to never give up, and keep trying. He wants to teach Capoeira and he can do it, with a lot of work, patience and time. And now he has a future student coming in to the world, for he’s going to be a father in the beginning of the next year.

For me was the perfect goodbye. I played Capoeira for about 4 hours nonstop, and then spent some time talking with this great master, that so much reminds me of my own Master Flávio from São Paulo, and the great friends that I made in this world of Capoeira. I once heard that Capoeira is more than a way of life, is like a marital status. I believe I’m married to it.

It also happened a lot of things that don’t require must insight: I said goodbye to some great friends, with promises of seeing each and every one of them very soon; became single (because some things are not meant to last forever); became thinner and healthier (a story for another time); and something else that right now I can’t remember!

A special mention to a special group of friends: this group has come a long way. We met in 2007 in Boston and we have been very good friends ever since. My second to last day in Portugal was spent with them, to celebrate a birthday. I miss them already, but as photography has proved to them, I carry them with me in this awesome Polaroid photograph that we took.

So, what else? I found a home to stay in Madrid for 6 months. Every time I travel is different! In Brazil I actually walked from street o street, apartment after apartment in the hope that I could find accommodation. This time I found a house to Madrid three weeks in advance, spaced, in a very good location with everything up and ready. The girl that talked to me was very nice, but unfortunately she was the one that I wouldn’t meet because I was getting her room.

House ready, all the documents required, contract signed, I had to go to the most difficult part and definitely not my favourite one: the list of things that I had to bring and pack in my (huge and heavy) bags.

Do you know some Travel Bloggers? I actually admire everything they do, and one of those things is the ability of detach from things that are not really necessary. I believe I can do it at a certain point. I did it a few times already (a conversation for some other time), but this time was pretty difficult, because, unlike these awesome bloggers that can pack very simple things, I had to pack all these clothes to wear to work, and unfortunately I can’t simply wear shorts, t-shirts and sneakers, but a pretty well thought set of clothes.

And besides, I will live in Madrid, I’ll definitely explore it like a tourist, and in the future almost like a native, but I’m living there. I don’t know about you guys, but I love my movies, my sneakers, and my hand blender (a true friendship between me and a household appliance that makes soup). So, in conclusion, I filled two suitcases – the bigger ones that you buy to move to another country without coming back for a year, worthy of at least 32 kg each -, my sleeping bag, another bag filled with stuff that my mother thought ridiculous for me to bring – like my markers and my book to colour (to which I’m addicted) -, and a few packs of cheese bread to make at home (I couldn’t risk not existing in the supermarkets of Madrid). And, to add to everything, there was my companion of several years, my Eastpack, with more than 12 years old, and still ready for the craziest of the adventures.

So am I ready to go? Even if I wasn’t, time ran out and it was time to go on another adventure. There was I in the train station of my home town, with close family saying goodbye. My mum was too much worried on how I would be able to carry all my heavy and large bags throughout this journey. I said something like: ”Don’t worry about that Big Mama, I’ve been doing strength training just to prepare for this moment!”. Not entirely true, but it worked!

Madrid is about 1h distance by plane from Porto. About 6 hours by car, and about 9 hours by train. No idea how long it takes by bus. I took the train with no space to do anything, not even for my advantaged bags. The ticket man was so upset with me that I thought he was not going to let me in. I lied and said that I was going away for an entire year and that I wouldn’t be able to return to Portugal for that period of time, that I had to be prepared. He still complained, but let me him in the train. I slept more or less fine, and arrived in Madrid fresh to carry the bags and put them in taxi, that took me to my new home.

So, for now, goodbye Portugal, and hello Spain.

Now I hope to tell you all about my experiences here in Madrid, and hopefully some other places in Spain that I intend to visit, depending on my availability to travel.

I’ll be here now. Let’s put this blog on the track again.

See you guys soon

Ana


Olá pessoal. Eu sei que disse no último post que teria mais tempo para vir para aqui escrever, mas a coisa esteve difícil.

O tempo voou entre as preparações para mudar novamente de país durante 6 meses. Foi um mês de despedidas, de organização e planeamento de várias coisas, de choradeira e fim de relações. O mês de Junho foi um monte de emoções e de coisas para fazer, essencialmente para dizer adeus e preparar para a nova aventura.

No início de Junho tive a oportunidade de ver uma grande amiga casar. Tenho de admitir que deixei as lágrimas cairem pela cara abaixo. Fiquei um pouco surpreendida, pois não sou o tipo de pessoa que chora em casamentos, mas ao ver aquela rapariga com quem cresci, num bonito e fantástico vestido de noiva, a subir ao altar com o sorriso mais feliz que alguma vez lhe vi, foi impossível não ficar emocionada e chorar como se não houvesse amanhã. Aquele dia é um daqueles dias que é para lembrar!

O padre devia estar certamente a pensar que era muito engraçado ao ponto de falar em divórcio no meio de um sermão muito confuso. Só deus sabe o que se estava a passar na cabeça dele! Perdi a conta dos gins que bebi (durante a festa) e ensinei o meu amigo Pedro a dançar samba. Encontrei no meio da mesa das sobremesas um cheesecake delicioso e um espaço no meu estômago pouco resistente para o comer, porque nunca se pode dizer que não a cheesecake. A noite acabou com fogo de artifício para celebrar a união de mais um casal. Passei o dia de vestido e sandálias com um pouco de tacão. Mas, confesso, que pensei várias vezes nas minhas All-Stars e o porquê de gostar tanto delas, são mesmo muito confortáveis.

Outra coisa que fez de Junho um mês especial foi o meu primeiro dia do ano de praia. Espinho é conhecido pela nortada terrível e pela água gelada, mas eu tive a grande sorte de não apanhar sequer uma brisa, e a água, apesar de gelada, estava muito agradável. Dei o meu primeiro mergulho e desfrutei daquela particularidade de Espinho que toda a gente, de alguma forma, adora. Tirei também o dia para levar a Kelly, a minha nova amiga, a conhecer a praia e a experimentar a água gelada.

A Kelly é a cadela recém adoptada da minha avó. Ela passou os primeiros três anos da vida dela fechada numa varanda, e quando comecei a passear com ela tinha medo de tudo, incluindo pés e relva. Depois de alguns meses, levei-a até à praia para saborear o sabor da liberdade e da água do mar, e penso que ela gostou. Tenho muitas saudades do meu melhor amigo, mas agora posso dar muito carinho a esta nova amiga que também precisa.

O meu último fim de semana também foi altamente. Disse adeus à Capoeira, apenas para começar outra vez, num grupo diferente, porque não há Senzala em Madrid (para já!). O grupo do Porto recebeu uma boa surpresa do Mestre Pélé, que veio participar na nossa Roda de Capoeira, e dar-nos motivação para continuar. Vim a saber que, infelizmente o meu Professor, o Pedro, andava um pouco desmotivado com o desenrolar das coisas, pois ainda somos um grupo muito pequeno. Mesmo assim, a Roda foi tão motivadora, tão revigorante e tão divertida que acredito sinceramente que o Pedro ganhou mais força para o próximo ano, para não desistir, e continuar a tentar. Ele quer ensinar Capoeira, ele vai conseguir, com muito trabalho, paciência e tempo. E agora ele tem um futuro estudante a vir ao mundo, pois ele vai ser pai no início do próximo ano.

Foi a despedida perfeita. Joguei Capoeira durante umas 4 horas sem parar, e depois estive mais algum tempo na conversa com o mestre, que tanto me faz lembrar o meu mestre Flávio de São Paulo, e com os novos amigos da Capoeira. Uma vez ouvi que a Capoeira era mais do que um modo de vida, é um estado civil. Acredito que seja casada com a Capoeira.

Aconteceram também um ror de coisas que não requerem muito pormenor: disse adeus aos amigos, com promessas de ver cada um em breve; fiquei solteira (porque há coisas que não foram feitas para durar para sempre); fiquei mais magrinha e saudável (uma história para outra altura); e algo mais que agora não me consigo lembrar!

Uma menção especial a um grupo especial: este grupo tem já uma longa história. Conhecemo-nos em 2007 em Boston e somos amigos desde então. O meu penúltimo dia em Portugal foi passado com eles para celebrar um aniversário. Já tenho saudades, mas como a fotografia já lhes provou, trago-os comigo numa foto Polaroid altamente que tirámos.

Então, que mais? Encontrei casa para ficar em Madrid por 6 meses. Sempre que viajo é diferente! No Brasil, tive de andar de rua em rua, apartamento após apartamento na esperança de encontrar casa. Desta vez encontrei uma com três semanas de antecedência, espaçosa, numa boa localização com tudo pronto. A rapariga com quem falei foi muito simpática, mas infelizmente foi quem eu não pude conhecer, pois fiquei com o quarto dela.

Casa pronta, todos os documentos reunidos, contrato assinado, só me faltava a parte mais difícil, que definitivamente não é a minha favorita: a lista das coisas que tinha de levar e pôr dentro das minhas (grandes e pesadas) malas.

Conhecem alguns Bloggers viajantes? I admiro grande parte do que fazem, e uma delas é a capacidade para se desprenderem de coisas que na realidade não são necessárias. Eu acredito que o consigo fazer até certo ponto. Já o fiz várias vezes (uma conversa para outra altura), mas desta vez foi um tanto difícil, porque, ao contrário deste bloggers fantásticos que só seleccionam coisas simples, eu tive de pôr na mala um monte de roupa para trabalhar e, infelizmente, eu não posso simplesmente andar de calções, t-shirts e sapatilhas, mas antes um bem pensado conjunto de roupa.

Tudo muito bonito mas eu estou a viver em Madrid, a explorar a cidade como uma tourista, e no futuro quase como uma nativa, mas estou cá a viver. Não sei como é com vocês, mas eu adoro filmes, as minhas sapatilhas, e a minha varinha mágica (a verdadeira amizade entre uma pessoa e um electrodoméstico que faz sopa). Então, em conclusão, eu preenchi duas malas – as maiores que se podem comprar quando se muda para outro país sem voltar durante um ano, dignas de, pelos menos, 32 kg cada uma -, o meu saco de cama, outro saco cheio de coisas que a minha mãe achou ridículo para eu trazer – como os meus marcadores e o meu livro para colorir (ao qual eu estou viciada) -, e uns quantos pacotes de pão de queijo para fazer em casa (porque eu não podia arriscar não haver à venda nos supermercados de Madrid). E, a adicionar a tudo isto, a minha companheira de vários anos, a minha Eastpack, com mais de 12 anos, e ainda pronta para a mais louca das aventuras.

Estava pronta para ir? Mesmo que não estivesse, o tempo acabou e chegou a altura de partir noutra aventura. Lá estava eu na estação de comboio da minha terra, com a família a dizer adeus. A minha mãe estava demasiado preocupada em como é que eu ia conseguir carregar todas aquelas grandes e pesadas malas naquela viagem. Eu disse-lhe algo do género: “Não te preocupes Big Mama, que tenho andado a fazer treino de força só para me preparar para este momento!”. Não é totalmente verdade, mas resultou!

Madrid fica a 1h de distância de avião a partir do Porto. Fica a cerca de 6 horas de carro, e a cerca de 9h de comboio. Não faço ideia de quanto demora de autocarro. Apanhei o comboio sem espaço para nada, nem mesmo para as minhas malas avantajadas. O pica ficou tão zangado comigo que eu pensei que ele não me ia deixar entrar. Menti e disse que ia estar fora 1 ano sem possibilidade de voltar, e que tinha de ir preparada. Continuou a queixar-se mas ao menos deixou-me entrar. Dormi mais ou menos bem dentro do possível e cheguei a Madrid fresca para carregar as malonas e metê-las no táxi que me levou até à nova casa.

Portanto, por agora, adeus Portugal, e Olá Espanha.

Agora espero poder contar-vos todas as minhas experiências aqui em Madrid e, se tudo correr bem, em outros lugares de Espanha que tenho intenções de visitar, dependendo da minha disponibilidade.

Por agora estou aqui. Vamos lá pôr este blog a correr outra vez.

Até breve.

Ana