Viagem ao Brasil: Diz adeus (dias 6, 7 e 8) / Trip to Brazil: Say Goodbye (days 6,7 and 8)

Olá a todos.

Vou finalmente acabar o meu conto da minha viagem ao Brasil. Depois disto podemos avançar com outros temas, só para ser diferente claro. Decidi juntar os últimos três dias no Brasil, pois estão inter-relacionados.

O dia 6, 13 de Dezembro de 2015, foi um domingo altamente devo dizer. O pessoal da Capoeira, não faço ideia de quanto éramos, juntou-se todo para um churrasco ao ar livre em cada do mestre. O povo começou a chegar por volta do meio-dia, o Lucas e eu fomos os primeiros, e começaram a ir embora às 11 da noite. Portanto, quase 12 horas de pura diversão. Para começar, conheci um Capoeirista português, a viver no Brasil, de visita a São Paulo naquele fim-de-semana. Melhor ainda, conheci uma capoeirista portuguesa a trabalhar no Brasil durante 4 meses, e quase a voltar para Amesterdão. Mundo pequeno!

Depois espalhei alegria e satisfação por quem experimentasse o vinho que eu trouxe. Não é surpresa para ninguém que o vinho desapareceu à velocidade de luz, o que só quer dizer que era bom. Prometi trazer mais no próximo ano. Ah pois é, eu vou ao Brasil outra vez em Dezembro!

Tive a oportunidade de experimentar uma espécie de salada, cujo nome infelizmente não me lembro – lembrei-me agora: vinagrete -, e fiquei viciada até não conseguir comer mais. Ficava absolutamente delicioso com pão. É algo maravilhoso para quem não quer saber da gordura corporal.

No meio daquilo tudo não me posso esquecer de mencionar a cerveja. Muita, mas muita cerveja. Eu estou a falar de vários barris cheios de gelo e cerveja a rebentarem pelas costuras. O sol estava bem alto a dar sensação de muito calor e a cerveja fazia toda a diferença.

Um dos nossos, o Toli, dedicou o tempo dele no churrasco a cozinhar salsichas e vários tipos de carne. Não sei o que é que ele pôs na comida, mas sempre que alguma coisa ficava pronta, o pessoal ia todo a correr, pois a carne estava tenra, saborosa e deliciosa. Como podem ver estávamos todos muitos bem alimentados.

Durante todo o tempo que lá estivemos a diversão e a música nunca pararam. Mas algo muito bom aconteceu. Eu estava um pouco tonta da cerveja e do vinho na altura, mas não me impediu de fazer o que tinha de fazer a seguir. Assim do nada o mestre falou, e todos sabem que quando o mestre fala, os outros ouvem. O mestre disse que estava na altura do baptismo que devia ter sido no dia anterior: o meu baptismo!

Como já disse, eu estava tonta, completamente distraída. Quando me apercebi estava à espera de permissão do mestre para começar a jogar Capoeira com os grandes. Joguei com todos os que quiseram jogar comigo, meia bêbada e sem o meu uniforme branco, a suar profusamente com o sol a queimar-me a cabeça, sem o som dos Berimbaus, e sem as palmas. Parece que estou a dizer que estas não foram boas condições para o baptismo, mas foram. Foi uma grande honra para mim, fiquei mesmo contente pelo tratamento especial. Estas pessoas são a minha outra família!

Quando tudo acabou, eu levantei-me, a precisar de cerveja e algo para comer, como um membro oficial da família Senzala com a alcunha de Maria do Bacalhau. Eu gosto do meu nome: é diferente, distinguível, totalmente original, e completamente engraçado. Não podia pedir mais.

O dia 7 acabou por chegar, o dia em que relutantemente tive de dizer adeus. Fui novamente até à AICEP dizer adeus às pessoas que me acolheram durante 6 meses para aprender e trabalhar. Foi muito bom voltar a vê-los a todos, mas mais uma vez fui dominada por uma sensação de vazio pois tinha de ir embora acontecesse o que acontecesse. E assim o fiz, com a promessa de voltar para os ver outra vez.

Antes do meu último treino em São Paulo, eu tinha de dizer adeus a algo que especial. Lembram-se de uma vez vos ter falado de um sítio altamente que tinha uma vista fantástica de São Paulo, no bairro de Pinheiros? Bem, eu fui lá e aquela vista não cansa. Lá eu disse adeus a São Paulo. Tenho muita pena disto, mas não posso mesmo dizer-vos o nome do meu lugar. Se quiserem visitá-lo digam-me que eu digo-vos como o encontram, caso contrário vai permanecer segredo.

Às 19h30 estava novamente na Academia. O treino naquele dia foi bom. O contra-mestre Toli deu a aula e, para além do Contra-mestre Baiano, éramos todos iniciantes na Capoeira, e jogar na roda foi diferente, no bom sentido. Aprendemos sempre com os mais experientes, mas também damos boas risadas e aprendemos imenso com os menos experientes. Estas pessoas são meus amigos e todos podemos crescer como Capoeiristas. Tenho de dar o meu carinho ao meu herói Lucas, à graciosa MaryHelen, e a sorridente Taty.

A noite não acabou, pois ainda tive a oportunidade de partilhar uma última pizza com estas pessoas.

Detesto dizer adeus, a sério, mas prefiro dizer adeus com a possibilidade de voltar a ver o pessoal outra vez e ser amiga deles até lá e para sempre, do que nunca ter tido a oportunidade de os conhecer. Portanto, para este pessoal, adeus por agora, a gente vê-se em breve!

O dia 8 foi o dia de pôr tudo dentro da mala, a maior parte coisas que não usei, só serviram para proteger os presentes. Comi qualquer coisa e percorri a cidade de São Paulo, de Jaguaré a Guarulhos, para apanhar o meu avião.

10 horas depois estava novamente em casa. Era inverno, então chegar cheia de frio! Tudo voltou ao normal e eu adaptei-me novamente.

Agora compenso as saudades a praticar Capoeira no Porto, e a partilhar novas experiências com outras pessoas que também são a minha família.

Fim da minha viagem ao Brasil.

Da próxima vez vamos falar de algo mais frio.

Até breve

Ana

Hello everyone.

I’m finally finishing my tale about my trip to Brazil. After that we can go forward with other themes, just to be different of course. I decided to put together the last three days in Brazil, because they are connected with each other.

Day 6, December 13th 2015, was an awesome Sunday I must say. The people of Capoeira, I have no idea how many we were, got together for a Barbecue outside in the master’s house. People started to arrive around noon, Lucas and I were the first ones, and started leaving around 11 p.m. So, almost 12 hours of doing a lot of things that were particularly fun. For starters, I met a Portuguese Capoeirista, living in Brazil, just visiting São Paulo that weekend. Even better, I met a Portuguese Capoeirista (a woman) working in Brazil for just 4 months, and almost returning to Amsterdam. Small world!

Then, I spread joy and satisfaction throughout anyone who tasted the wine I brought. No need to say that disappeared at light speed, but that only means it was good. I promised to bring some more next year. That’s right people, I’m going to Brazil again in December!

I had the chance to try some kind of salad, which name unfortunately I no longer recall – I remember now: Vinagrete -, and became addicted to it until I couldn’t eat it no more. It was absolutely delicious with bread. Something wonderful for someone that doesn’t care about body fat.

In the middle of it all, I cannot forget to mention the beer. Lots and lots of beer. I’m talking about several barrels filled with ice and beer bursting at the seams. The sun was way up high giving a sense of too much warmth and the beer made all the difference.

Then, one of our own, Toli, dedicated his time barbecuing some sausages and different kinds of meat. I don’t know what he put on that food, but every time something was ready, people would run to it, for it was tender, tasty and delicious. So as you can see we were all well fed.

During the time we spent there the music never stopped neither the fun of it all. But something great happened. I was actually a bit dizzy from beer and wine at the time, but that didn’t stop me for what I had to do next. Completely out of the blue, the master spoke, and everybody knows that when the master speaks, we all listen. The master said it was time for a baptism that should have been the day before: my baptism!

As I said, I was dizzy, completely alienated from everything. When I came to myself I was waiting for permission from the master to start playing Capoeira with the big boys. I played with everybody that would play with me, drunk and without my uniform, sweating profusely with the sun burning my head, without the sound of the Berimbaus, without the clapping. I know I’m sounding like these weren’t very good conditions for a baptism, but they were. It was a great honour for me, I was greatly touched for the special treatment. These people are my other family!

When it was all over, I rose up tired, needing some more beer and a piece of food, as an official member of the Senzala Family with the Capoeira nickname of Maria do Bacalhau (Codfish Mary). I like my name: it is different, distinguishable, totally original, and completely funny. I couldn’t ask for more.

Day 7 eventually came, and it was the day that I reluctantly had to say goodbye. I went to AICEP once more to say goodbye to the people that took me for 6 months, to learn and to work. It was really great to catch up with everyone, but once again the feeling of emptiness came for I had to leave no matter what! And so I did, with a promise that I would come back to see them again.

Them, before my last Capoeira workout in São Paulo, I had to say goodbye to something that I truly missed. Remember one time telling you about a great place that had the most awesome view of São Paulo, in the neighbourhood of Pinheiros? Well, I went there and that view never gets old. There I said goodbye to São Paulo. I’m truly sorry for this, but I really can’t tell you the name of my special place. If you want to visit it please tell me and I will tell you how to find it, otherwise it will remain a secret.

At 19h30 I was once again in the Academy. Training that day was very cool. Counter-Master Toli gave the class, and besides counter-master Baiano, the rest of us were all beginners in Capoeira, and playing the game that time was simply different in a very good way. You always learn with the most experienced ones, but you also learn and have a lot of laughs with the most unexperienced ones. These people are also my friends, and we can all grow together as Capoeiristas. I must give my special regards to some people, my Hero Lucas, my graceful MaryHelen, and my smiley Taty.  It’s a great prospect of future for me.

The night wasn’t over yet, for I had the chance to share one last pizza with these great people.

To say goodbye sucks, it truly does, but I prefer having to say goodbye with a possibility of seeing them once again, and remaining great friends until then and forever, then never having the chance to have met them at all. So, for you guys, goodbye for now, we will see each other again!

Day 8 was the day of putting everything inside my suitcase, most of the things I didn’t wear, they were just there to protect the gifts. Then, I ate something and covered the city of São Paulo, from Jaguaré to Guarulhos, to catch my plane.

Ten hours after I was home again. It was winter, I arrived freezing! Everything was coming back to normal, I had to adapt again and so I did.

Now I compensate everything by practising Capoeira in Porto, and sharing new experiences with these people that are also my other family.

The end of my trip to Brazil.

Next time let’s talk about something a bit colder.

I’ll see you

Ana

Viagem ao Brasil: Capoeiragem (Dia 5) / Trip to Brazil: Capoeiragem (day 5)

Sonhei com este dia durante meses. O dia do Capoeiragem.

É um dia muito importante por várias razões:

  1. Todas as pessoas que de alguma forma estão relacionadas com o grupo Senzala de São Paulo viajam km e km para participar neste evento altamente. Eu vim de Portugal para testemunhar o evento, mas não fui eu que fiz a viagem mais longa, pois sei de quem tenha vindo de França e, não tenho a certeza, da presença de alguém de Singapura.
  2. Este tipo de eventos, semelhante à Vadiação no Rio de Janeiro, em Julho de 2015, têm sempre como convidados especiais os grandes mestres de Capoeira. Então, em Dezembro, tive a oportunidade de conhecer o Mestre Toni Vargas, Mestre Boca Rica da Baía, Mestre Brasília, Mestre Maluco, Mestre Tizinho, entre outros. Foi de facto uma grande oportunidade porque todos têm a sua maneira de jogar Capoeira, é como se fosse parte da sua identidade, é o que nos distingue dos outros, e estes mestres passam a sua sabedoria, a sua forma de pensar e os seus movimentos para nós, para que possamos crescer e tonarmo-nos melhores Capoeirstas.
  3. Neste dia, todos os anos, é celebrado o baptismo de novos Capoeiristas, como eu, que durante algum tempo praticaram Capoeira com a corda branca. O Baptizado acontece quando se é convidado a jogar com um mestre ou contra-mestre e se cai no chão. A pessoa levanta-se orgulhosamente, apesar de não aparecer, e recebe a sua primeira corda, que, no grupo Senzala, é a corda amarela. Recebe-se, também, o nome de Capoeira. Vou revelar o meu mais tarde. Mas não se esqueçam, não podem tomar como garantido o evento do Capoeiragem, pois não serão batizados ou não mudarão de corda, se o mestre não achar que mereçam.
  4. Neste dia, juntamente com o baptizado, todos os Capoeiristas, cujo mestre ache que mereçam, mudam de corda. Em 2015 foi lendário, vão ver.
  5. Neste dia, a Capoeira também celebra algumas expressões de arte esquecidas, e que vivem através da Capoeira, como é o caso do Maculele, Jongo, Coco e Samba de Roda. Este ano ficámos aquém do programa, logo não tivemos a oportunidade de fazer tudo, mas o que fizemos foi muito divertido, e tudo o resto celebrado durante a semana, como já falado neste blog.
  6. O número 6 é talvez o mais importante, atrevo-me a dizer. O Capoeiragem é a celebração da Capoeira, e de tudo o que ela representa! Celebra a tradição, simbolismo, cultura, história, mas também amizade, companheirismo, vida e tudo o que é fantástico.

Então, aqui vamos nós, vou contar-vos o que aconteceu naquele dia, 12 de Dezembro de 2015, no SESC de Pinheiros, São Paulo, SP, Brasil.

Às 9 da manhã eu estava vestida, pronta e com fotografias tiradas, à espera que o evento começasse. Começou bem mais tarde, tipo uma hora mais tarde do que era esperado, mas sem problema! Aproveitei o tempo para brincar com o Miguel, de 5 anos e bem talentoso. Deviam vê-lo a dar um mortal!

Assim que o evento começou pus a minha t-shirt do Capoeiragem, a sentir-me mesmo fixe e excitada!

O Mestre Toni Vargas começou a aula com exercícios de aquecimento e depois fez com que andássemos aos saltinhos com coreografias de Capoeira para o nosso jogo. Tal como já disse, o mestre tem a sua maneira de jogar, então tivemos a oportunidade de aprender imenso com aquela aula. Para tornar as coisas justas, o mestre dividiu a aula. Exercícios mais complicados para quem tivesse da corda azul para cima e exercícios mais simples para quem estivesse abaixo da corda azul. Devia sentir-me com sorte por estar nos exercícios mais simples, mas, devo confessar que seria altamente experimentar os exercícios mais complicados e ver o que conseguia fazer. Para além disso, jogar com contra-mestres é um grande desafio que, com cada passo que se dá, se aprende algo novo. Mas tenho orgulho em dizer que não tenho medo de jogar com eles, apesar de não ter muita experiência, pois, durante as aulas, éramos sempre encorajados pelo mestre Flávio a jogar com eles. No Capoeiragem, foi fixe como foi.

Depois da aula sentámo-nos à volta dos mestres, enquanto tocavam o berimbau, o atabaque e o pandeiro. Alguém trouxe a guitarra acústica e esteve a acompanhar os outros instrumentos. O resto do pessoal cantava e acompanhava os instrumentos com as letras da Capoeira.

Almoçámos rápido, caso contrário não tínhamos energia para o resto do dia, e voltámos ao SESC. Tivemos de esperar algum tempo e muitos de nós acabaram por se deitar no chão para descansar um pouco.

Depois chegou a altura da aula de Samba de roda com o Mestre Brasília. Dançámos em pares e abanámos o rabo como verdadeiros brasileiros. Foi muito divertido, e a maior parte do tempo senti-me ridícula com a impressão de estar a fazer alguma coisa errada.

Depois fizemos algo que não me lembro do nome. Juntámos as mãos, num círculo e, ao som da música, dançámos, formando e desfazendo círculos, aos saltos, a seguir os mais velhos. A melhor parte de tudo isto é o facto de todos, independentemente da sua origem ou história, juntaram mãos como iguais e dançarem, a rir e a celebrar um conceito de amizade.

Depois os pequenitos trocaram de corda, e, entre eles, estava a Gabriela, a filha do mestre, que joga como se tivesse nascido para aquilo, e o meu pequenito preferido no mundo, o Miguel, filho de dois Capoeirstas. O Miguel é completamente natural e torna tudo muito mais divertido. Ele não tem medo de nada e joga de uma maneira que põe qualquer mestre com ciúmes.

Depois, duas mulheres trocaram de corda, da roxa para a castanha. Tornaram-se contra-mestres depois de tão merecida cerimónia. Só as conheci em 2015, só passou um ano, mas isso não me impediu de derramar uma lágrima de puro orgulho. Foi uma honra estar ali presente.

Fizemos um samba de Roda muito rápido e fomos expulsos do SESC, o tempo tinha acabado. Mas a celebração não acabou. Juntámo-nos no Rei de Pinheiros, a comer, a cantar, a dançar ao som da música de Capoeira até o restaurante fechar, por volta da 1 da manhã. Foi um tempo incrível onde recebi notícias maravilhosas. Não muito longe de São Paulo, em São José dos Campos, um bebé nasceu de uma nova amiga brasileira. Era um rapaz e foi chamado de Pietro.

Como podem ver, este dia é altamente para relembrar eternamente. Nada pode ser melhor do que isto.

Portanto, até breve.

Ana

For several months I’ve been dreaming about this day. The day of Capoeiragem.

It’s a very important day for lots of reasons:

  1. Everybody that is somehow related to the Senzala Group of São Paulo travels miles and miles to participate in this awesome event. I came all the way from Portugal to witness this event, but I wasn’t the one who travelled the farthest, for I know that one person came from France, and, I’m not sure, we had the presence of someone from Singapore.
  2. These kinds of events, similar to Vadiação in Rio de Janeiro, back in July 2015, always have as special guests the greatests masters of Capoeira. So, in December, I actually got to meet Master Toni Vargas, Master Boca Rica from Bahia, Master Brasília, Master Maluco, Master Tizinho, among others. This was a great opportunity because everyone has their own way of playing Capoeira, it’s kind of part of one’s identity, it is what distinguish us from others, and these masters passed on their wisdom, way of thinking and moves to us, so we can grow and enrich ourselves as Capoeiristas.
  3. On this day, every year, is celebrated the baptism for new Capoeristas, like me, that practiced Capoeira for a while with a white rope. The Baptism happens when you are invited to play with a master or counter master and you fall down on the floor. You stand up proudly, even though it doesn’t seem so, and you receive you first rope, that, in the Senzala group, is the yellow one. Also, you receive your Capoeira name. I will reveal my own later. But not forget, you can’t take the event of Capoeiragem from granted, for you will not be baptized or change your rope, if your master doesn’t think you deserve it.
  4. On this day, along with the baptism, every Capoeirista, whose master thinks deserves it, changes rope. In 2015 it was a legendary year, just wait and see.
  5. On this day, Capoeira also celebrates a lot of art expressions somehow forgotten, that still live through Capoeira, which is the case of Maculele, Jongo, Coco and Samba de Roda. This year we got a bit behind of schedule so we didn’t get the chance to do it all, but what we did was pretty cool, and the ones that we didn’t do, we did during the week, as previously written in this blog.
  6. This number six might be the most important of reasons, I dare say. Capoeiragem is the celebration of Capoeira and all it represents! It celebrates tradition, symbolism, culture, history, but also friendship, fellowship, life and pure awesomeness.

So here we go, let me tell what happened on that day, December 12, 2015, in SESC Pinheiros, São Paulo, SP, Brazil.

9 a.m. I was dressed, ready and with pictures taken, waiting for the event to start. It started way later, like an hour later than expected, but no worries!  I enjoyed my time playing with Miguel, the five year old, extremely talented. You guys should see him make a somersault!

As the event started I put on my Capoeiragem t-shirt, feeling just great and so excited!

Master Toni Vargas started with a class of exercises to get warm, and then made us jump around doing Capoeira routines as exercises for the game of Capoeira. As stated before, he has his own way of playing, so we had the chance of learning a lot with that class. To make things fair, the master divided the class. More difficult routines were given to the ones above the blue rope, and easier routines for the ones under the blue rope. I should feel lucky for getting the easy ones, but still, it would be awesome to try the difficult ones and actually see what I could do. Besides, playing with counter-masters is way challenging and with every step you take you learn something new. Still, I’m proud to say that I’m not afraid of playing with them, even though I don’t have much experience, because during classes we always are encouraged by our Master Flávio to do so. Anyway, on Capoeiragem, it was fun to play with my mates.

After the class we sat down around the masters playing the Berimbau, atabaque, and pandeiro. Someone brought an acoustic guitar and accompanied the other instruments. The rest of us sang and accompanied the instruments with Capoeira lyrics.

We had a quick lunch otherwise we would not get enough energy to get through the rest of the day, and got back to SESC again. We had to wait for a while, and most of us fell on the floor to get some rest, while waiting for the others.

And then it was time for a class of Samba de Roda with Master Brasília. We danced in pairs and shook our asses like real Brazilian. It was incredibly fun, for most of the time I felt ridiculous and with the impression that I was doing something wrong.

Then we did this thing, which I actually don’t know the name of. We joined hands, gathered in a circle, and, to the sound of the music, we danced around, making and unmaking different circles, jumping around, and following the older ones. The awesome thing about it all was the fact that everybody, no matter its origin, joined hands as equals, and danced around, smiling at each other celebrating an example concept of friendship.

After, it was time for the kids to change ropes, and among them, was Gabriela, the daughter of my master, who played like she was born to it, and my favourite kid in the whole world, Miguel, the son of two mates from Capoeira. Miguel is completely natural and it takes everything more fun. He is not afraid of anything, and plays in a way that makes any master jealously.

Then, two women changed rope, from purple to brown. They became counter-masters after so deserved ceremony. I’ve only met them in 2015, it has passed a year, but that didn’t stop me from shedding a tear of pure pride. It was an honour to see it.

We had time for a quick samba de roda and we were expelled from SESC, the time was out. But our celebration wasn’t over. We got together in Rei de Pinheiros, eating, singing and dancing to the sound of Capoeira music until the restaurant closed, around 1 a.m. There I had amazing time and got wonderful news. Not far from São Paulo, just São José dos Campos, a baby was born from a new Brazilian friend. It was a boy and was named Pietro.

As you see this day is awesome to remember. Nothing can ever be better than this.

So, I’ll see you.

Ana