Viagem ao Brasil: Capoeiragem (Dia 5) / Trip to Brazil: Capoeiragem (day 5)

Sonhei com este dia durante meses. O dia do Capoeiragem.

É um dia muito importante por várias razões:

  1. Todas as pessoas que de alguma forma estão relacionadas com o grupo Senzala de São Paulo viajam km e km para participar neste evento altamente. Eu vim de Portugal para testemunhar o evento, mas não fui eu que fiz a viagem mais longa, pois sei de quem tenha vindo de França e, não tenho a certeza, da presença de alguém de Singapura.
  2. Este tipo de eventos, semelhante à Vadiação no Rio de Janeiro, em Julho de 2015, têm sempre como convidados especiais os grandes mestres de Capoeira. Então, em Dezembro, tive a oportunidade de conhecer o Mestre Toni Vargas, Mestre Boca Rica da Baía, Mestre Brasília, Mestre Maluco, Mestre Tizinho, entre outros. Foi de facto uma grande oportunidade porque todos têm a sua maneira de jogar Capoeira, é como se fosse parte da sua identidade, é o que nos distingue dos outros, e estes mestres passam a sua sabedoria, a sua forma de pensar e os seus movimentos para nós, para que possamos crescer e tonarmo-nos melhores Capoeirstas.
  3. Neste dia, todos os anos, é celebrado o baptismo de novos Capoeiristas, como eu, que durante algum tempo praticaram Capoeira com a corda branca. O Baptizado acontece quando se é convidado a jogar com um mestre ou contra-mestre e se cai no chão. A pessoa levanta-se orgulhosamente, apesar de não aparecer, e recebe a sua primeira corda, que, no grupo Senzala, é a corda amarela. Recebe-se, também, o nome de Capoeira. Vou revelar o meu mais tarde. Mas não se esqueçam, não podem tomar como garantido o evento do Capoeiragem, pois não serão batizados ou não mudarão de corda, se o mestre não achar que mereçam.
  4. Neste dia, juntamente com o baptizado, todos os Capoeiristas, cujo mestre ache que mereçam, mudam de corda. Em 2015 foi lendário, vão ver.
  5. Neste dia, a Capoeira também celebra algumas expressões de arte esquecidas, e que vivem através da Capoeira, como é o caso do Maculele, Jongo, Coco e Samba de Roda. Este ano ficámos aquém do programa, logo não tivemos a oportunidade de fazer tudo, mas o que fizemos foi muito divertido, e tudo o resto celebrado durante a semana, como já falado neste blog.
  6. O número 6 é talvez o mais importante, atrevo-me a dizer. O Capoeiragem é a celebração da Capoeira, e de tudo o que ela representa! Celebra a tradição, simbolismo, cultura, história, mas também amizade, companheirismo, vida e tudo o que é fantástico.

Então, aqui vamos nós, vou contar-vos o que aconteceu naquele dia, 12 de Dezembro de 2015, no SESC de Pinheiros, São Paulo, SP, Brasil.

Às 9 da manhã eu estava vestida, pronta e com fotografias tiradas, à espera que o evento começasse. Começou bem mais tarde, tipo uma hora mais tarde do que era esperado, mas sem problema! Aproveitei o tempo para brincar com o Miguel, de 5 anos e bem talentoso. Deviam vê-lo a dar um mortal!

Assim que o evento começou pus a minha t-shirt do Capoeiragem, a sentir-me mesmo fixe e excitada!

O Mestre Toni Vargas começou a aula com exercícios de aquecimento e depois fez com que andássemos aos saltinhos com coreografias de Capoeira para o nosso jogo. Tal como já disse, o mestre tem a sua maneira de jogar, então tivemos a oportunidade de aprender imenso com aquela aula. Para tornar as coisas justas, o mestre dividiu a aula. Exercícios mais complicados para quem tivesse da corda azul para cima e exercícios mais simples para quem estivesse abaixo da corda azul. Devia sentir-me com sorte por estar nos exercícios mais simples, mas, devo confessar que seria altamente experimentar os exercícios mais complicados e ver o que conseguia fazer. Para além disso, jogar com contra-mestres é um grande desafio que, com cada passo que se dá, se aprende algo novo. Mas tenho orgulho em dizer que não tenho medo de jogar com eles, apesar de não ter muita experiência, pois, durante as aulas, éramos sempre encorajados pelo mestre Flávio a jogar com eles. No Capoeiragem, foi fixe como foi.

Depois da aula sentámo-nos à volta dos mestres, enquanto tocavam o berimbau, o atabaque e o pandeiro. Alguém trouxe a guitarra acústica e esteve a acompanhar os outros instrumentos. O resto do pessoal cantava e acompanhava os instrumentos com as letras da Capoeira.

Almoçámos rápido, caso contrário não tínhamos energia para o resto do dia, e voltámos ao SESC. Tivemos de esperar algum tempo e muitos de nós acabaram por se deitar no chão para descansar um pouco.

Depois chegou a altura da aula de Samba de roda com o Mestre Brasília. Dançámos em pares e abanámos o rabo como verdadeiros brasileiros. Foi muito divertido, e a maior parte do tempo senti-me ridícula com a impressão de estar a fazer alguma coisa errada.

Depois fizemos algo que não me lembro do nome. Juntámos as mãos, num círculo e, ao som da música, dançámos, formando e desfazendo círculos, aos saltos, a seguir os mais velhos. A melhor parte de tudo isto é o facto de todos, independentemente da sua origem ou história, juntaram mãos como iguais e dançarem, a rir e a celebrar um conceito de amizade.

Depois os pequenitos trocaram de corda, e, entre eles, estava a Gabriela, a filha do mestre, que joga como se tivesse nascido para aquilo, e o meu pequenito preferido no mundo, o Miguel, filho de dois Capoeirstas. O Miguel é completamente natural e torna tudo muito mais divertido. Ele não tem medo de nada e joga de uma maneira que põe qualquer mestre com ciúmes.

Depois, duas mulheres trocaram de corda, da roxa para a castanha. Tornaram-se contra-mestres depois de tão merecida cerimónia. Só as conheci em 2015, só passou um ano, mas isso não me impediu de derramar uma lágrima de puro orgulho. Foi uma honra estar ali presente.

Fizemos um samba de Roda muito rápido e fomos expulsos do SESC, o tempo tinha acabado. Mas a celebração não acabou. Juntámo-nos no Rei de Pinheiros, a comer, a cantar, a dançar ao som da música de Capoeira até o restaurante fechar, por volta da 1 da manhã. Foi um tempo incrível onde recebi notícias maravilhosas. Não muito longe de São Paulo, em São José dos Campos, um bebé nasceu de uma nova amiga brasileira. Era um rapaz e foi chamado de Pietro.

Como podem ver, este dia é altamente para relembrar eternamente. Nada pode ser melhor do que isto.

Portanto, até breve.

Ana

For several months I’ve been dreaming about this day. The day of Capoeiragem.

It’s a very important day for lots of reasons:

  1. Everybody that is somehow related to the Senzala Group of São Paulo travels miles and miles to participate in this awesome event. I came all the way from Portugal to witness this event, but I wasn’t the one who travelled the farthest, for I know that one person came from France, and, I’m not sure, we had the presence of someone from Singapore.
  2. These kinds of events, similar to Vadiação in Rio de Janeiro, back in July 2015, always have as special guests the greatests masters of Capoeira. So, in December, I actually got to meet Master Toni Vargas, Master Boca Rica from Bahia, Master Brasília, Master Maluco, Master Tizinho, among others. This was a great opportunity because everyone has their own way of playing Capoeira, it’s kind of part of one’s identity, it is what distinguish us from others, and these masters passed on their wisdom, way of thinking and moves to us, so we can grow and enrich ourselves as Capoeiristas.
  3. On this day, every year, is celebrated the baptism for new Capoeristas, like me, that practiced Capoeira for a while with a white rope. The Baptism happens when you are invited to play with a master or counter master and you fall down on the floor. You stand up proudly, even though it doesn’t seem so, and you receive you first rope, that, in the Senzala group, is the yellow one. Also, you receive your Capoeira name. I will reveal my own later. But not forget, you can’t take the event of Capoeiragem from granted, for you will not be baptized or change your rope, if your master doesn’t think you deserve it.
  4. On this day, along with the baptism, every Capoeirista, whose master thinks deserves it, changes rope. In 2015 it was a legendary year, just wait and see.
  5. On this day, Capoeira also celebrates a lot of art expressions somehow forgotten, that still live through Capoeira, which is the case of Maculele, Jongo, Coco and Samba de Roda. This year we got a bit behind of schedule so we didn’t get the chance to do it all, but what we did was pretty cool, and the ones that we didn’t do, we did during the week, as previously written in this blog.
  6. This number six might be the most important of reasons, I dare say. Capoeiragem is the celebration of Capoeira and all it represents! It celebrates tradition, symbolism, culture, history, but also friendship, fellowship, life and pure awesomeness.

So here we go, let me tell what happened on that day, December 12, 2015, in SESC Pinheiros, São Paulo, SP, Brazil.

9 a.m. I was dressed, ready and with pictures taken, waiting for the event to start. It started way later, like an hour later than expected, but no worries!  I enjoyed my time playing with Miguel, the five year old, extremely talented. You guys should see him make a somersault!

As the event started I put on my Capoeiragem t-shirt, feeling just great and so excited!

Master Toni Vargas started with a class of exercises to get warm, and then made us jump around doing Capoeira routines as exercises for the game of Capoeira. As stated before, he has his own way of playing, so we had the chance of learning a lot with that class. To make things fair, the master divided the class. More difficult routines were given to the ones above the blue rope, and easier routines for the ones under the blue rope. I should feel lucky for getting the easy ones, but still, it would be awesome to try the difficult ones and actually see what I could do. Besides, playing with counter-masters is way challenging and with every step you take you learn something new. Still, I’m proud to say that I’m not afraid of playing with them, even though I don’t have much experience, because during classes we always are encouraged by our Master Flávio to do so. Anyway, on Capoeiragem, it was fun to play with my mates.

After the class we sat down around the masters playing the Berimbau, atabaque, and pandeiro. Someone brought an acoustic guitar and accompanied the other instruments. The rest of us sang and accompanied the instruments with Capoeira lyrics.

We had a quick lunch otherwise we would not get enough energy to get through the rest of the day, and got back to SESC again. We had to wait for a while, and most of us fell on the floor to get some rest, while waiting for the others.

And then it was time for a class of Samba de Roda with Master Brasília. We danced in pairs and shook our asses like real Brazilian. It was incredibly fun, for most of the time I felt ridiculous and with the impression that I was doing something wrong.

Then we did this thing, which I actually don’t know the name of. We joined hands, gathered in a circle, and, to the sound of the music, we danced around, making and unmaking different circles, jumping around, and following the older ones. The awesome thing about it all was the fact that everybody, no matter its origin, joined hands as equals, and danced around, smiling at each other celebrating an example concept of friendship.

After, it was time for the kids to change ropes, and among them, was Gabriela, the daughter of my master, who played like she was born to it, and my favourite kid in the whole world, Miguel, the son of two mates from Capoeira. Miguel is completely natural and it takes everything more fun. He is not afraid of anything, and plays in a way that makes any master jealously.

Then, two women changed rope, from purple to brown. They became counter-masters after so deserved ceremony. I’ve only met them in 2015, it has passed a year, but that didn’t stop me from shedding a tear of pure pride. It was an honour to see it.

We had time for a quick samba de roda and we were expelled from SESC, the time was out. But our celebration wasn’t over. We got together in Rei de Pinheiros, eating, singing and dancing to the sound of Capoeira music until the restaurant closed, around 1 a.m. There I had amazing time and got wonderful news. Not far from São Paulo, just São José dos Campos, a baby was born from a new Brazilian friend. It was a boy and was named Pietro.

As you see this day is awesome to remember. Nothing can ever be better than this.

So, I’ll see you.

Ana

Um ano Brasil! / One year Brazil!

É verdade: passou um ano, mais rápido do que devia.

Um ano de quê? Há exactamente um ano atrás eu pisei pela primeira vez solo brasileiro. Para mim, este dia é uma mistura de tristeza e alegria.

Eu lembro-me, como se fosse ontem, de estar à espera para entrar no avião no aeroporto de Madrid, com destino a Guarulhos, São Paulo, e de ter uma sensação de uma terrível ideia. Mais tarde, sentada na cadeira do avião à espera da refeição, de confirmar para mim mesma que se calhar tinha sido uma péssima ideia ir para o Brasil.

Só conseguia pensar no Michael e no facto de só o poder voltar a ver 6 meses depois, da minha cama que é absolutamente perfeita para as minhas costas, os amigos que ia deixar para trás e a quantidade de coisas que ia perder, e da vida que tinha.

Então, este dia marca um ano em que pensava que estava a fazer algo de errado.

Depois revelou-se que eu estava completamente errada! O meu primeiro mês no Brasil foi terrível, pois demorou a arranjar casa, a habituar-me àquele nova cidade, e a dar-me com as pessoas que me acompanharam.

Mas o tempo passou, como sempre, e as coisas que fizeram com que o meu primeiro mês no Brasil fosse miserável, foram rapidamente esquecidas, para dar lugar a sensação de estar em casa e de vida.

A única coisa que lamento imenso em ter ido para o Brasil foi o facto de não ter tido possibilidade de levar o Michael comigo, mas não há nada que possa fazer agora. Tudo o resto foi altamente.

Encontrei a Capoeira, fiz amigos excelentes, adaptei-me à nova cama, que continuava a ser uma treta comparada com a portuguesa, e mudei a minha vida.

Tenho então de estimar este dia de um ano atrás, pois não voltei atrás, não desisti, aceitei o desafio e vivi, e isso mudou por completo a minha vida para sempre.

Isto soa um pouco profundo para o meu gosto mas a verdade tem de ser dita: Eu não sou a rapariga (Em Portugal rapariga é menina no Brasil) que era exactamente há um ano atrás. Eu cresci do que era e descobri imensas coisas novas sobre mim e sobre a minha personalidade, ao ponto de saber melhor o que quero fazer e o que quero ser.

Também descobri que ainda tenho muito para aprender, sobre o mundo, sobre as pessoas à minha volta, e sobre mim. Era o tipo de pessoa que não tinha qualquer fascinação pelo que quer que fosse brasileiro e agora não consigo evitar o desejo de querer saber mais. Eu detestava samba, pois não é o meu género de música ou de dança, mas faz-me sorrir como uma doida. Nunca pensei que algum dia fosse fazer Capoeira, e agora sou-lhe verdadeiramente dedicada.

Eu podia continuar, mas podem ler o blog para entenderem tudo acerca da minha “relação” com o Brasil, apesar de muitas coisas se manterem apenas na minha memória, só para mim e para aqueles que as partilharam.

Mas o tempo passou e a minha experiência no Brasil vai ficar comigo para sempre e sempre. Mas agora está na altura para uma nova aventura.

Aproveito este post e esta celebração de um grande ano para anunciar que a Ana não vai para o Brasil desta vez. Eu fui escolhida, de entre alguns candidatos, pela delegação portuguesa, para trabalhar como trainee no Programa Regional Europeu na Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas, em Madrid, Espanha, a começar em Junho 2016.

E assim a minha vida continua, e desta vez não vou pensar que é uma má ideia, pois está provado que é sempre uma excelente ideia e que tudo vai correr bem.

A minha paixão pelo Brasil mantêm-se, mas Madrid é outra grande oportunidade para crescer e, talvez, abrir novas portas para voltar um dia ao Brasil. Por agora, estou a poupar dinheiro para ir ao Capoeiragem de 2016. Quanto ao futuro, esqueçam, vou conhecê-lo quando chegar, mas posso dizer que está abeto ao Brasil, a Madrid, e a qualquer outro local da terra que me aceite.

Portanto, um viva para esta ano, um viva para o Brasil, um viva para o passado, um vivo para o presente, um vivo para o futuro, um vivo a novas aventuras, e um viva às histórias deste blog e a sua longa vida.

Até breve

Ana

That’s right: a year has passed away, more quickly than it should.

One year of what? Exactly one year ago I stepped for the first time Brazilian soil. For me, this day is a mixture of sadness and happiness.

I remember, as if it were yesterday, of waiting to enter the plane in Madrid airport, destination Guarulhos, São Paulo, and having this feeling of a terrible idea. Later, sitting down in a plane chair and waiting for my meal, of confirming to myself that maybe it was a really terrible idea to go.

All I could think about was Michael and the fact that I would only see him again 6 months later, and of my bed that is absolutely perfect for my back, the friends that I would leave behind and the things I would miss, and the kind of life that I had.

So, this day marks a year that I thought I was doing the wrong thing for me.

Turns out, I was so completely wrong! My first month in Brazil was terrible, for it took a while to find a house, to adapt to new town, and get along with the people that accompanied me. But time went by, as always, and these things that made my first month in Brazil miserable, quickly were forgotten, to give space to the feeling of home, of a life.

The only thing I truly regret about going to Brazil was the fact that I wasn’t able to bring Michael with me, but there’s nothing I can do about it now. Every other thing was just awesome.

I found Capoeira, I made awesome and true friends, I adapted to my new bed, that still sucked compared to one in Portugal, I changed my entire life.

So, I must appreciate this day from the year before, because I didn’t back out, I didn’t quit, I got the challenge and lived, and that changed my whole life forever.

This sounds a bit profound for my taste, but the truth must be told: I am not the girl that I was exactly one year ago. I grew out of it and discovered so many things about myself and my personality, that I actually know better what I want to do and what I want to be.

I also found that I still have a lot to learn, about the world, about the people around me, and about myself. I was the kind of girl that had no fascination for anything Brazilian and now I just can’t stop looking to know more about it. I hated samba, it’s not my kind of music or dance, but right now I love it and makes me smile like crazy. I never thought that I would ever do Capoeira, now I’m nuts and truly dedicated to it.

I could go on, but you can just read my blog and understand everything about my “relationship” with Brazil, even though a lot of things still remain only in my memory, just for me and for the ones who shared those moments.

But time went by and my experience in Brazil will stay with me forever and always. But now it’s time for a new adventure.

I take this post and this celebration of a great year to announce that Ana is not going to Brazil this time. I was the chosen one, from a few candidates, by the Portuguese delegation, to work as trainee in the Regional European Programme in The World Tourism Organization of the United Nations, in Madrid, Spain, starting in June 2016.

So, my life goes on, and this time I will not think that it’s a bad idea, for its proven that is definitely a very good idea and that everything will be ok.

My passion for Brazil still stands, but Madrid is just another opportunity to grow, and maybe, open doors to return to Brazil someday. As for now, I’m saving money so I can go to another Capoeiragem in December 2016. As for the future, forget it, I will know it eventually when it comes, but I can say it’s open to Brazil, as for Madrid, and any other place on earth that might accept me.

So, cheers to this year, cheers to Brazil, cheers to the past, cheers to the present, cheers to the Future, cheers to new adventures, and cheers to storytelling in this blog and its long life.

I’ll see you

Ana