Viagem ao Brasil: Entra no avião! (Dia 1) / Trip to Brazil: Get on the plane! (Day 1)

Olá Pessoal!

Agora que o drama à volta do Novo Ano acabou, ou pelo menos eu espero que já tenha passado, vou cumprir a minha promessa e contar-vos tudo acerca da minha viagem ao Brasil em Dezembro de 2015.

Como tenho tanta coisa para dizer e uma certa tendência para escrever demasiado, podem certamente contar com alguns posts para se entreterem.

É melhor começar pelo início não é? A minha viagem começou bem antes de chegar ao Brasil. Primeiro de tudo, esta viagem aconteceu por acaso. No início de Novembro eu estava infelizmente a preparar-me para avisar os amigos brasileiros que não podiam contar comigo para o Capoeiragem, porque os bilhetes de avião estavam horrivelmente caros, a um preço imoral.

Mas um dia, por pura espontaneidade e curiosidade em ver o quanto o preço dos bilhetes tinha subido, liguei o computador e visitei os websites das companhias aéreas, onde encontro encontrar uma grande promoção, exactamente para os dias que queria. É mesmo incrível, nem um dia antes nem um dia depois, caso contrário os preços eram novamente imorais. Alguém no céu tem pena de mim, obrigada.

Demorei cerca de dois segundos a decidir e a carregar no botão “comprar”. E lá vamos nós de viagem. Um mês de entusiasmo! Fiz uma lista das coisas que precisava de levar, como sempre, – apesar de não me impedir de esquecer de alguma coisa de todas as vezes que vou de viagem, – e comecei a pô-las na minha mala desnecessariamente grande. E porquê? Primeiro porque Dezembro no Brasil faz calor, em particular para uma pessoa como eu que não tem muita resistência ao sol. 20 Graus Celsius em Portugal é normalmente a temperatura onde começo a achar que já está a ficar demasiado quente para o meu gosto, então imaginem 35 graus! Segundo, porque comprei vinho do porto, vinho tinto, molho de francesinha, castanhas e uma moto telecomandada para levar para o Brasil, e precisava de espaço para tudo aquilo, apesar de no primeiro dia a mala ficar quase vazia. Então encontrei a solução. Para além de tudo aquilo que precisava para a viagem, pus ainda mais roupa para ocupar os espaços livres para proteger os presentes. Só o vinho tinha jornal, plástico, t-shirts e calças enroladas. Qual protecção qual quê? Terceiro, o grande amontoado de coisas desnecessárias serviria para distrair os seguranças do aeroporto. Não os conhecia, ainda podiam tentar tirar o meu vinho, apesar de ser difícil de o tirar daquela organização da mala.

Um dia antes da viagem, a mala ficou pronta depois de várias tentativas para a fechar. Uma semana de viagem, tornou-se numa viagem de dois meses, só pela mala!

Tudo o que restava era ter uma boa noite de sono e preparar-me para uma nova aventura.

8 de Dezembro começou com o meu humor irritadiço da manhã a tentar impedir-me de sair da cama. Não gosto de acordar cedo, então, só fiquei um pouco entusiasmada quando despachei a mala no check-in. A minha mãe foi uma fixe em trazer-me ao aeroporto e disse para me divertir, pois eram umas férias, não apenas um evento de Capoeira.

Entrei no avião com a esperança de poder dormir um pouco. Encontrei o meu lugar que ficava na saída de emergência. Pensava que era um bom lugar por causa do espaço, mas à medida que as horas iam passando, mais me arrependia de o ter escolhido. Não podia pôr as minhas coisas no chão, não podia esticar as pernas, não tinha espaço ou posição para ler e dava muito trabalho abrir a minha mesinha para comer.

Lá consegui dormir, mas não tanto como queria, e li o meu livro da Guerra dos Tronos até os meus olhos doerem e a minha cabeça não aguentar com o próprio peso. O meu vizinho era muito alto, estrangeiro e simpático. Pelo que vi do seu trabalho, ele ia ao Brasil apresentar uma palestra sobre sustentabilidade ambiental. Era a oportunidade perfeita para discutir um tema que tanto me interessa, mas ele estava a trabalhar e eu decidi não o chatear com a minha curiosidade.

Dez horas horrorosas no avião que acabaram comigo mal disposta. Infelizmente, o meu estômago não tem qualquer resistência a nenhum tipo de transporte e aos seus movimentos. Quando finalmente aterrámos, esperei quase uma hora pela minha mala. Estavam, todos a falar sobre o assunto e eu fiquei com receio que a Polícia Federal tivesse encontrado o meu vinho. Mas a mala acabou por aparecer ilesa.

Depois esperei pelo Lucas. Quando o vi, o meu cavaleiro, dei-lhe um abraço tão grande que parecia que não nos víamos há anos. Era bom estar de volta! Mas a surpresa não acabou aí. O Lucas levou-me à Maryhelen, a quem também dei um grande abraço. Definitivamente era mesmo bom estar de volta. A nossa noite acabou com uma pizza deliciosa e com promessas de ser uma boa semana.

Prontos para o dia 2?

Até breve.

Ana

Hi guys!

Now that all the fuzz about the New Year is over, or at least I hope it passed, I’m going to fulfil my promise and tell you all about my last trip to Brazil in December 2015.

I’ve got so much detail to get into and such a tendency to write too much that you can certainly count on some posts to entertain you.

Best start from the beginning right? My trip started long before my arrival in Brazil. First and foremost, this trip was a complete and total spare of the moment thing. In the beginning of November I was sadly getting ready to tell my Brazilian friends that they couldn’t count on me for Capoeiragem because the plane tickets were so horribly expensive, like immoral expensive.

But one day, out of pure spontaneity and curiosity to see how much the prices had gone up, I turned the computer on and checked the companies’ websites, only to appear a huge promotion exactly for the days I wanted. It’s incredible really, not one day before or one day after, otherwise the plane tickets would be immoral again. Someone in the sky has a soft point for me, thank you.

It took me about two seconds to decide and press the button “buy”. And here we go for a trip. One month of excitement! I made a list of things that I needed to bring, as always, – even though it doesn’t stop me from forgetting something every time, – and started putting them on my unnecessarily huge suitcase. Why so? First because Brazil in December is hot, particularly for someone like me that doesn’t have a lot of resistance to the sun. 20 degrees Celsius in Portugal is usually the temperature where I normally get to much warmth for my taste, now imagine 35 degrees! Second because I bought port wine, red wine, francesinha sauce, chestnuts and a remote controlled motorbike to take with me to Brazil, and I needed space for that, even though, on the first day, the suitcase would become almost empty. So I found the solution. Besides everything I needed for the trip, I put some other clothes to fill in the spaces and, of course, to protect the presents. The wine in particular, had newspaper, plastic, t-shirts and pants rolled on. Talk about protection ah? Third, the huge amount of unnecessary goods should have distracted the security guards of the airport. I didn’t know them, they might have tried to take the wine, but it was of too much trouble to get the goods out in such an organized suitcase.

One day before the big day my suitcase was ready after several attempts to make it close. One week trip just became a two months trip, just for the suitcase!

All that was left was to get some good night sleep and get ready for one more adventure.

December 8th started with my cranky morning mood trying to stop me from getting out of the bed. I’m not a morning person, so, I only got a bit of excitement when I dispatched my suitcase at the check in point. My mum was great in taking to the airport, and told me to get fun, for after all, it was just like a vacation, not just a Capoeira event.

Still, I got on the plane with the funny sense that I was going to try to get some sleep. I found my seat right on the emergency exit. I thought this was a great seat because of the space, but the more hours went by, the more I regretted my decision. I couldn’t put our stuff on the floor, I couldn’t stretch my legs, I didn’t have space or position to read, and it was too much trouble to open my lunch table.

Anyway, I did sleep for a while, but not so much as I wished to, and read my Game of Thrones book until but eyes hurt and my head didn’t take its own weight. My neighbour was incredibly tall, foreign and nice. For what I saw of his work, he was going to Brazil to present a lecture on environmental sustainability. It was the perfect opportunity to speak about a theme that interested me so, but he was working and I decided not to bother him with my curiosity.

Ten awful hours on that plane, and it ended with me extremely sick. Unfortunately, my stomach doesn’t have any resistance what so ever to any kind of transportation and its movements. When we finally landed I waited for almost an hour for my suitcase. Everyone was talking about that, I got really scared that the Federal Police found my wine. Still it eventually showed up unharmed.

Then I waited for Lucas. When I saw him, my knight and shining armour, I gave him such a hug that felt like we haven’t seen each other for years. It was good to be back! But the surprise didn’t end there. Lucas took me to Maryhelen to whom I also gave a big hug. It was definitely good to be back. Our night ended with us eating a nice pizza and with promises of a very good week.

Ready for day 2?

I’ll see you.

Ana