O Berimbau ! / The Berimbau

Olá Pessoal!

Hoje o meu post é especial (e provavelmente o próximo também, pois escrevo sempre muito). Não vou contar o que ando a fazer, ou o penso do que vejo. Antes, vou explorar um pouco do que a História tem para nos oferecer.

Mas primeiro deixem-me explicar o porquê deste post. No dia 11 de Agosto, terça-feira, exactamente uma semana depois de me espetar no chão e ficar com o pé inchado como um balão, eu fui a mais um treino de capoeira como dita a rotina. Como estava praticamente inválida, limitei-me a fazer alongamentos, a aquecer o pé, a fazer-lhe massagens, enfim, a dar-lhe os mimos todos que não recebeu o resto da vida. Na roda, aproveitei e pus-me a tocar com toda a felicidade o atabaque, que finalmente consegui aprender a tocar em condições. Preparava-me para ir embora quando o mestre me fez uma proposta, aproveitar aquele tempinho e tocar o Berimbau.

Bem, posso confessar-vos que tinha a certeza absoluta que não ia tocar Berimbau, já que nem o segurar por mais de meio minuto seguido conseguia. Que tristeza não é? Que capoeirista é que eu sou se nem o Berimbau consigo segurar?

Serviu-me de motivação, pois eu decidi-me a não desistir e não sair dali enquanto não tocasse qualquer coisa. Não sei descrever-vos o que aconteceu, mas posso dizer-vos que consegui tocar! Eu não ouvi o som do meu Berimbau, apenas o Berimbau do Juninho do meu lado esquerdo, o vozeirão do Maestro do meu lado direito e as batidas no atabaque do Ninja. Mas estou mesmo orgulhosa, pois não só consegui segurar o Berimbau, como o Mestre disse que me safei bem, e que agora só tenho de praticar. Quando tiver o dedo mindinho da mão esquerda torto, quer dizer que já toco bem!

Já me estou a perder. Vêem? E disse que ia demorar alguns posts para vos dar a conhecer a história do Berimbau. Mas aí vai. Dediquei algum tempo à leitura para descobrir a história do Berimbau e só não vos dou mais informação, porque ainda tenho muito para investigar sobre este assunto.

Li uma frase interessantíssima sobre o Berimbau, que a sua origem “se perde na poeira dos milénios”. Os estudiosos acreditam que o Berimbau, na sua versão mais pré-histórica, é o instrumento mais antigo utilizado pelo homem para emitir som, com quase 20.000 anos. Sustentam esta tese pelas pinturas rupestres encontradas na França, em que homens são retratados com arcos na mão que emitem sons.

Mas afinal o que é o Berimbau na actualidade? À primeira vista parece um instrumento improvisado, composto de coisas que se encontram algures no chão, mas na realidade é bem sofisticado.

  1. O Arco ou verga, entre 1,20m e 1,60m de comprimento, feito, tradicionalmente, do caule de um arbusto chamado de Biriba, típico do Nordeste do Brasil.
  2. A corda de aço, um fio de arame, bem esticado e preso de uma ponta à outra do Arco, normalmente arrancado dos pneus dos carros.
  3. A Cabaça, o fruto seco e limpo da Cabaceira, muito comum no Brasil, que é a caixa de ressonância do instrumento. Quanto maior a cabaça, mais grave é o som emitido.
  4. A amarração da cabaça, um fio que prende a cabaça ao arco e à corda de aço, que permite a passagem do som.
  5. A Baqueta, com cerca de 40 cm, deve-se bater contra a corda de aço para emitir o som.
  6. O Dobrão, uma moeda velha ou uma pedra, que deve ser segurada entre o polegar e o dedo indicador da mão esquerda. As notas variam consoante a pressão na corda de aço.
  7. O Caixixi, uma cesta de vime com pedrinhas, sementes ou búzios, para a marcação do ritmo.

É sofisticado não é? O difícil é mesmo equilibrá-lo, tocar e cantar, tudo ao mesmo tempo!

Existem vários toques de Berimbau. Os mais conhecidos são o toque de Angola, São Bento Pequeno (Angola invertido), São Bento Grande (do Mestre Bimba) e São Bento Grande de Angola. Existem uns quantos mais, mas eu não os conheço ainda.

Normalmente, em roda, tocam três Berimbaus. O Gunga, que emite o tom mais grave; o médio, que acompanha o Gunga, mas é mais pequeno; e o Viola, que emite o som mais alto, e onde se dá mais liberdade para improvisações de toque.

Não se sabe quando, onde ou como os Berimbaus apareceram no Brasil, mas existe o registo de um Berimbau numa aguarela pintada na Baía entre 1816 e 1831. Mas o Berimbau a princípio não fazia parte da capoeira. Aliás, o Berimbau começou a fazer parte da capoeira depois da abolição da escravatura. Antes, apenas existiam os atabaques na roda. Mas apesar deste pequeno pormenor, o Berimbau já estava há muito presente na vida dos escravos, mesmo os libertados, pois eram utilizados nas ruas para atrair as pessoas para produtos que vendessem pelas ruas.

Espero que tenham gostado. No próximo post conto-vos alguma da história da capoeira no Brasil, que descobri na minha investigação sobre o Berimbau, apenas algumas curiosidades para satisfazer os mais curiosos.

Até breve.

Ana

Hi Guys!

Today my post is special (and probably the next ones, for I write quite a lot). I’m not going to tell you what I’ve been doing, or what I think of what I see. Rather, I will explore a bit of what History has to offer us.

But first let me explain why I’m writing this post. On August 11, Tuesday, exactly one week after I stick myself into the floor and get my foot swollen like a balloon, I went for some training of capoeira just as my routine demands. Because I was almost disabled, I got limited to stretches, warm up my foot and getting massages, whatever, giving it all the attention that it didn’t receive all its life. In the circle, I took the happy opportunity to play the atabaque that I’ve finally learned to play correctly.

As I was going home, the master made me a proposal, to take the time to play the Berimbau.

Well, I must tell you that I was absolutely sure that I was not going to play the Berimbau, considering that I couldn’t even hold it for more than half a minute. It’s sad isn’t it?

What kind of Capoeirista am I if I can even hold the Berimbau?

It was cool as motivation, because I decided that I wouldn’t give up or get out of there without playing anything. I don’t know what happened, but I actually played! I didn’t hear the sound of my Berimbau, just Juninho’s Berimbau on my left side, Maestro’s huge voice on my right side, and the beats of the atabaque played by Ninja. Still I’m quite proud, because I held the Berimbau and the Master said I did well, and now I have to practice. When my pinkie is crooked I might play well!

I’m getting away with myself. See? I told you it would take more than one post to give you the history of Berimbau. Here we go. I dedicated some time reading to discover the history of Berimbau, and I only won’t give you more, because there’s still a lot to investigate.

I’ve read a very interesting phrase about the Berimbau, that its origin “gets lost in the dust of millenniums”. The scholars believe the Berimbau, on its pre-historic version, is the oldest instrument used by Man to make sound, almost with 20.000 years. They support this thesis for the cave paintings found in France, where men are portrayed with arches in their hands making sounds.

But how is the Berimbau now? At first sight it looks like an improvised instrument, composed by things found somewhere on the floor, but, in reality, is quite sophisticated.

  1. The arch, or lintel, between 1,20m and 1,60m length, made, traditionally, of the stem of the shrub called Biriba, from the Northeast of Brasil.
  2. The strand of steel, well stretched and strapped in the edges of the arch, stripped out of car tyres.
  3. The gourd dried and cleaned fruit from the Calabash, very common in Brazil, which is the resonance box of the instrument. The bigger the gourd, deeper the sound.
  4. The mooring line, a string that attaches the gourd to the arch and strand of steel that allows the sound to pass.
  5. The drumstick, with 40cm, against the strand to make sound.
  6. The Dobrão, an old coin or stone, that must be hold between the thumb and the index finger of the left hand. The musical notes vary according to its pressure against the strand of steel.
  7. The Caixixi, a wicker basket with stones, seeds or whelks, to set the pace.

Sophisticated isn’t it? The hard thing is to maintain balance, play and sing, all at the same time!

There’s quite of lot of rhythms to play the Berimbau. The most known are the Angola, São Bento Pequeno (Angola inverted), São Bento Grande (From Master Bimba) and São Bento Grande de Angola. There’s some more, but I don’t know them, yet.

Usually, in the circle, we play with three Berimbaus. The Gunga, that makes the deeper sound; the médio, that accompanies the Gunga, but it’s smaller; and Viola, that makes the highest sound, with some liberty to improvise.

It is not known when, where or how the Berimbaus appeared in Brazil, but there’s a record of a Berimbau painted in a watercolour in Baía between 1816 and 1831. The Berimbau, in the beginning, wasn’t part of Capoeira. Actually, the Berimbau became a part of Capoeira after the abolition of slavery. Before, only the atabaques existed in the circle of Capoeira. But even with this detail, the Berimbau was already present in the lives of slaves, and recent released, for it was used to attract people in the streets to some product that black people would be selling.

I hope you guys enjoyed it. On my next post I will tell you some fact of the history of Capoeira in Brazil, discovered while researching about the Berimbau, just satisfy the curious ones.

See you soon.

Ana

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anavingada

I'm dreamer and a writer. Changing the world is my greatest ambition. I studied International Relations and I love everything related to the environment and animal species. I never miss a chance to travel feel the adrenaline of trying on new things. Dancing is my hobby and Capoeira is my passion. Chocolate and movies are my addictions. Life is a challenge! "Laughter is timeless, imagination has no age, and dreams are forever." Walt Disney

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