No topo de Santa Teresa / On top of Santa Teresa

Olá pessoal!

Seguindo o último post. O Lucas, a MaryHelen, Taty e eu lá nos pusemos no carro para chegar ao topo do morro de Santa Teresa.

O sol já tinha desaparecido, mas quanto mais alto estávamos, mais nos apaixonávamos por aquela vista maravilhosa do Rio de Janeiro. A luzes transformaram-se em formas lindíssimas, quase como a Via Láctea na Terra. E apesar de sabermos que era Favela a esconder obscuridades e actividades ilegais, naquele momento, não queríamos mesmo saber disso para nada!

A subida foi difícil, mesmo para o carro. A viagem devia ter sido mais rápida, mas perdemo-nos algumas vezes, porque até o GPS parecia não saber onde estava. Mas acabámos por encontrar o que estávamos à procura. Procurávamos o CEAT Centro Educacional Anísio Teixeira. Qual é a minha surpresa quando estacionamos o carro, saímos dele e vemos o morro onde Cristo está, quase tão perto como da minha primeira visita, mas, infelizmente, outra vez de frente. Estava iluminado com luzes brilhantes que permitiam que fosse visto pelo Rio de Janeiro inteiro.
Tirei uma foto, claro, e olhei para baixo, para ver o acumular das luzes maravilhosas da Favela. Foi mesmo altamente, mas por muito que me esforce não consigo descrever com exactidão.

Mas não podíamos ficar ali a admirar eternamente. Entrámos na propriedade escondida por trás das árvores. Era uma grande casa, semelhante a uma espécie de castelo moderno, com uma vista fantástica para a paisagem do Rio. A melhor parte: aquele castelo (vamos chamar-lhe castelo!) estava cheio de capoeiristas e daquela música contagiosa de que aprendi a gostar tanto.
Aproximámo-nos de um senhor simpático, que nos deu a t-shirt do evento, azul e laranja, as melhores cores, e nos indicou um lugar para mudar de roupa.

Mudei de roupa e juntei-me ao grupo de capoeiristas. Não conhecia ninguém, com a excepção de 2 ou 3 pessoas, mas não queria saber.
Fomos ter com o mestre da turma de iniciantes. Ele olhou para nós todo sorridente, de baixo-cima, e disse com sotaque brasileiro e tom de brincadeira: “Então vocês é que são os miúdos do Flávio?”
Sorri e disse orgulhosamente: “Sim!” Ele estava a falar do meu mestre!
Ele também disse: “Vamos ver do que é que são capazes!”
Ele não fazia ideia! Pensei!

“Que a Vadiação 2015 Comece!” Buya!

Jogámos em pares por um pouco, e apanhei franceses, holandeses, gregos, suíços, americanos e mais umas quantas nacionalidades a jogar comigo. Então, falei bom inglês, algum espanhol, grego improvisado, e um francês estranho! Mesmo assim, todos estavam impressionados com a menina portuguesa, que jogava como uma brasileira, falava como uma americana e sabia história europeia! Tive de dizer-lhes que não vivo debaixo de uma pedra, e que os portugueses até são inteligentes e sabem umas coisas. Depois de 5 minutos éramos todos amigos!

E chegou a altura de jogar a sério. Entrei num jogo para aquecer. O meu adversário saiu do jogo e eu cumprimentei-o como manda a cortesia. Mal me virei para começar a jogar com uma rapariga brasileira e ela bate-me com o pé na minha cara! “Estás a gozar comigo sua maluca?”
Bem, uma coisa que a capoeira me ensinou é que temos de retribuir os pontapés. Mesmo quando o ia fazer um tipo comprou o jogo e a rapariga saiu! Azar o meu!

Entretanto fomos convidados a formar 4 rodas para jogar com os capoeiristas mais experientes. Tive esse oportunidade fantástica umas quantas vezes, mas também tentei jogar outra vez com a outra maluca. Eu acho que ela ficou com medo de mim, porque nunca estava na mesma roda que eu.

Jogámos capoeira até à meia noite, não conseguíamos parar. Depois daquele grande serão, voltámos para a Lapa, jantámos e ainda fomos dar uma voltinha pela rua, mas era inevitável, tínhamos de dormir.
Boa noite. Até amanhã Rio. Até amanhã Capoeira.

Conto-vos tudo no próximo post.

Até Breve!

Ana

Hi guys!

Following the last post! Lucas, MaryHelen, Taty and I got in the car to reach the top of Santa Teresa Hill.

The sun had already disappeared, but the higher we were, the more we fell completely in love with that wonderful view of Rio de Janeiro. The lights turned into beautiful forms, almost like the Milky Way on Earth. And even though we knew most of it was the slum hiding an amount of obscurities and illegal activities, on that moment we didn’t care about that at all!

The climbing was hard, even for the car. Our journey was supposed to be quicker, but we got lost a few times, because even the GPS didn’t seem to understand where it was.
But eventually we found what we were looking for. We sought for CEAT Educational Centre Anísio Teixeira. What’s my surprise when we park the car, get out of it and we see the hill where Cristo himself stands, almost as close as the last time, but, unfortunately, his front again. It was illuminated with bright lights that allowed him to be seen throughout the entire Rio de Janeiro.
I took a picture, of course, and looked down, only to see the accumulation of wonderful lights of the slum. It’s truly awesome, and as hard as I try I just can’t seem to describe it.

But we couldn’t stay there forever. We entered in the property hidden behind trees. It was a huge house, similar to some kind of modern castle, with an awesome view to Rio de Janeiro landscape. The best part: that castle (let’s call it castle!) was filled with capoeiristas and that contagious music that I’ve learned to love so much.

We approached a nice man that gave us the shirt of the event, blue and orange, the best colours, and gave us a place to switch clothes.

I switched clothes and joined the crew of capoeiristas. I didn’t know anybody, except for two or three, but I couldn’t care less.
The four of us met with the master of the initiating class. He looked at us with a smiling face, down-up, and said with Brazilian accent and joking tone “So you’re Flavio’s kids?”
I smiled and proudly answered: “Yes!” After all he was talking about my master!
We also said: “Let’s see what you’re capable of!”
He had no idea! I thought to me!

“So, let Vadiação 2015 begin!” Buya!

We played by pairs for a while, and I caught French, Dutch, Greek, Swiss, American and some other nationalities playing with me. So, I spoke very good English, some Spanish, improvised Greek and very weird French! Still, everybody was impressed with the Portuguese girl, that played like a Brazilian native, spoke like an American and new European history! Well, I had to say to them that I don’t live under a rock, and that Portuguese people are quite intelligent and knowledgeable. After 5 minutes we were all friends with each other!
And then it was time to play the real game. I got in to warm up. My opponent got out, and I greeted him as courtesy implies. I barely turned to start the new game with some Brazilian girl and she actually hit me with her foot in my face! “Are you serious you crazy person?”
Well, one thing that capoeira taught me was to repay the kicks. Right when I was going to do so some guy bought the game and she backed up! Bad luck!

Anyway, we got invited to form four circles and play with older capoeiristas. I had that awesome opportunity for a few times, but also tried to play with that girl. I think she was afraid of me, because she was never in the same circle as me.

Well, we played capoeira until midnight, we couldn’t stop. After that awesome evening we returned to Lapa, had dinner and took a turn around the streets, but it was inevitable, we had to sleep.
Good night. Until tomorrow Rio. See you tomorrow Capoeira.

I will tell you all about it on my next post.

See you!

Ana

Voltei Rio! / I’m back Rio!

Olá Pessoal!

A minha ausência é sinal de muito trabalho. Mas esta semana é indispensável escrever um post, porque tenho mesmo de vos contar o meu fim de semana prolongado.

Tudo começou na quinta feira quando a minha colega de trabalho disse-me para me divertir no fim de semana. Só gritei de felicidade “RIIIIIIIIOOOOOOO!”
Fui para casa o mais rápido possível, pois tinha ainda muita coisa para fazer. Preparei a minha “lista do Rio” e pus alguma roupa na mochila.

Às 19h30 fui para a Capoeira, para suar como uma doida e libertar alguma da energia que se acumulava em mim há pelo menos uma semana. Bem, não foi a melhor das ideias, porque quando cheguei a casa, tomei banho e comi, estava tão cansada que adormeci.

Acordei uma hora depois com o Lucas, um amigo da Capoeira, a ligar-me: “Ana, em 15 minutos estou em tua casa!”
Fiquei logo stressada, claro. Vesti-me rapidamente, e pus tudo o que estava a faltar da minha lista na minha mochila da maneira mais desorganizada possível. Vesti a minha camisola da capoeira para me aquecer e estava pronta para descer.
Fui tão rápida que ainda estive à espera do Lucas. Mas, apesar de tudo, com toda aquela pressa, estava outra vez entusiasmada com o fim de semana.

O Lucas levou-me a mim e à Maryhelen para casa da Taty, onde devíamos dormir umas 4 horas, e partir depois para o Rio. Foi o que fizemos. Aceitei uma bolachas, pus o pijama e voltei a adormecer. Todo o entusiasmo tinha desaparecido outra vez.
Às 4 da manhã, o alarme estava a tocar. Fiquei tão chateada com a música do Star Wars “Imperial March”, que a desliguei e virei-me para o outro lado. A Taty e a Maryhelen acordaram logo de seguida e fizeram da casa uma festa, então resignei-me e levantei-me.

5 minutos depois estávamos todos no carro: o Lucas a conduzir o velho Fiat, a Maryhelen ao lado dele no banco da frente, eu no banco de trás esquerdo, e a Taty no direito.
Os primeiros 15 minutos de viagem foram divertidos, pois a música tocava, e discutíamos o que íamos fazer no fim de semana, mas passado um bocado comecei a ficar meia tonta e a fechar lentamente os olhos.
De repente estou a dormir numa posição estranha com a minha cabeça numa almofada que a Taty me deu. Descreveram-me a dormir como morta.
Numa viagem de 6 horas, acordei uma vez para ir à casa de banho, e para ver a vista maravilhosa do Rio a aproximar-se.

Já no Rio, descobri que era a única que não estava na cidade maravilhosa pela primeira vez. Não conseguia acreditar, mas mesmo assim decidi mostrar-lhes o meu conhecimento. Obviamente que a primeira coisa que vimos foi Favela. Portanto, favela por todo o lado! Pensei que eles iriam ficar tão chocados como eu quando a vi pela primeira vez, mas à Favela eles já estavam acostumados. São Paulo também a tem, mas de alguma forma diferente.
“O Rio não é muito bonito!”
Eu respondi: “É só uma parte do Rio, uma perspectiva.”

Lá no horizonte, lá estava ele: Cristo! Infelizmente, desta vez não foi o cu que eu vi, mas a frente. Eu penso sinceramente que o Cristo posicionou-se de costas só para mim, ou pelo menos eu gosto de pensar que sim.

Decidimos ir até à praia, e escolhemos a zona da Urca, onde está o Pão de Açúcar.
Decidimos não subir o morro, mas antes aproveitar o pouco tempo que tínhamos. Mesmo ao lado do Pão de Açúcar há uma pequena praia escondida onde passámos algum tempo a tirar fotografias e a desfrutar da água (quente) maravilhosa. Depois passeámos pelas ruas à procura de um local para comer. Comi massa, montes e montes de massa.

Voltámos para o carro e fomos até ao centro do Rio de Janeiro, mais precisamente para a Lapa, onde está a escadaria de Selaron. O evento is decorrer no topo do morro de Santa Teresa e por isso achámos que a Lapa era o local mais próximo, mais barato e mais divertido onde podíamos ficar a dormir.
Então, por volta das 15h encontrámos um hostel simpático para ficarmos. O recepcionista achou-nos tão fixes que nos deu um quarto privado, para 3 pessoas. Ainda bem que trouxe o saco de cama. Com um colchão, ia dormir no meu saco de cama, como no campismo.

O evento ia começar às 18h. Preparámos tudo, deixámos as coisas no hostel e rumámos em direcção ao topo do morro de Santa Teresa.
O que acontece a seguir?

Conto-vos no próximo post.

Até breve

Ana

Hello everybody!

My absence is sign of a lot of work. But this week is indispensable to write a blog post because I definitely have to tell you about my prolonged weekend.

It all started on Thursday when my colleague told me to have fun that weekend. I just screamed of happiness “RIIIIIIIOOOOOOO!”
I went home as fast I could, for I had too much to do. Prepared my “Rio list”, and put some clothes on my bagpack.

At 19h30 I went to Capoeira, to sweat like crazy and free some of the energy that I had been accumulating for about a week. Well it wasn’t the smartest idea, because when I arrived home, took a bath and ate, I was so tired that I fell asleep.

I woke up an hour later with Lucas, a mate from Capoeira, calling me: “Ana, in about 15 minutes I’m there at your house to pick you up!”
I freaked, of course. I got dressed as quickly as possible, and put everything that was missing to my list in my backpack in the most disorganized way possible. Put my Capoeira jumper to get warm and was prepared to get down.
I was so immensely fast that I had to wait for Lucas! But anyway, with all that hurry, I got excited again about the weekend.

Lucas drove Maryhelen and me to Taty’s house, where we should sleep 4 hours and then departure to Rio. That’s what we did. I accepted some cookies and changed to my pyjamas and fell asleep again. All the excitement was gone again.
At 4 a.m. the alarm clock was ringing. I got so pissed with the “Imperial March” music from Star Wars that I turned it off and turned to the other side. Taty and Maryhelen immediately woke up and made the house a party, so I resigned myself and got up.

5 minutes later we were all in the car: Lucas driving the old Fiat, Maryhelen by his side in the front seat, me in the left back seat, and Taty on the right back seat.
The first 15 minutes of trip were fun, the music was playing and the discussion of what we had to do was high, but after that I started to get dizzy, closing my eyes slowly.
All of sudden I’m sleeping in a weird position with my head resting in a pillow that Taty gave to me. They described me sleeping as dead.
For a 6 hour trip, I woke up 1 time to go to the bathroom, and to see the wonderful view of Rio approaching.

There in Rio, I found out that I was the only one that wasn’t in Rio for the first time. I couldn’t believe, but still I decided to give them some knowledge of that city. It’s obvious that the first thing that we got to see was the slum. So, slum everywhere! I thought they would be as shocked as I was for the first time that I saw it, but to that they were used to. São Paulo also has it, but somewhat different.
“Rio is not so very beautiful!”
I answered: “This is just on part of Rio, one perspective.”

There in the horizon, there he was: Cristo! Unfortunately, this time it wasn’t his ass that I saw, was just his front. I sincerely think that Cristo repositioned himself on his back just for me, or at least I like to think so.

Anyway, we decided to get near the beach, and chose the region of Urca, where Pão de Açúcar is, which literally can be translated as Sugar Bread.
We decided not to see the view from the top of the hill, but instead enjoy the time that we had. Right beside the huge mountain of Pão de Açúcar, there was a small, almost hidden beach, where we spent some time taking pictures and tasting that wonderful (hot) water.
After a while, we took a stroll around the streets to find a place to lunch. I ate pasta, lots and lots of it.

Then we got back in the car, and went to centre of Rio de Janeiro, more precisely to Lapa, where the staircase of Selaron is. The event would take place on the top on Santa Teresa hill, and we found that Lapa was nearest, cheapest and fun place that we could sleep in.
So, around 15 p.m., we found a nice hostel to stay in. The receptionist found us so nice that he actually gave us a private room, fit for 3. Thank god I brought a sleeping bag. With a nice mattress, I would sleep in my sleeping bag, just like camping.

The event would start at 18 p.m. We prepared everything, left most of our things in the hostel and left again, but this time to the hill of Santa Teresa.
What happens next?

I will tell you on my next post, wait for it.

See you

Ana