Português de Portugal vs Português do Brasil

Olá Pessoal!

Este vai ser um post diferente! Primeiro, escrito exclusivamente em Português, e segundo porque vou descrever algumas situações que só provam que, por muito que se fale a dita mesma língua, o Português, nunca é igual. Se em Portugal deparamo-nos com expressões diferentes, imaginem o Brasil, mais concretamente São Paulo.
São Paulo tem mais habitantes que Portugal inteiro, agora imaginem o quão diferente é tudo aqui, incluindo a língua.

Tenho muita sorte, na minha opinião. Aqui no Brasil tenho feito novos amigos, e contacto com a cultura brasileira de uma forma intensiva, principalmente na capoeira. É um ambiente muito descontraído, então o grupo tende a usar a gíria (o calão português!). E é através dessa gíria e de algumas situações engraçadas que tenho aprendido muito sobre o Português do Brasil.

E aqui vai: (não se surpreendam, a maior parte das situações ocorrem no meio da rua)

1. Estou eu a andar calmamente na rua, e distraída como sou esqueci-me de olhar para o semáforo. Um Brasileiro puxou-me para trás e impediu que eu ficasse debaixo de um carro. Disse assim para mim (imaginem sotaque brasileiro claro!): “Menina, você tem de olhar o farol!”
“Porquê para os faróis?!” Eu inocentemente a pensar nos faróis (luzes dos carros!). O senhor muito surpreendido, apontou para o semáforo, verde para os carros passarem. “Ah! Entendi. Obrigada”

2. Eu sou muito trapalhona, principalmente quando estou com pressa. No Brasil anda tudo com muita calma. Ao tentar contrariar essa tendência acelerei o passo e ultrapassei umas pessoas até uma ter decidido vir contra mim. Pedi desculpa, afinal eu é que estava com pressa, ao que a senhora respondeu: “Imagina!”.
Pensei: “Mas imagina o que?! De verdade que a senhora ficou aborrecida comigo porque fui contra ela? Do género, imagina se não tivesses vindo contra mim!” Bem, depois de algum tempo a pensar naquilo vim a descobrir que “imagina” equivale, em Portugal, a “de nada” ou “sem problema” ou “na boa”.

3. Estou desesperada no meio do shopping e viro-me para a primeira pessoa que encontro e pergunto: “Sabe onde há uma casa de banho?”
“Que é isso?” Ficou a pessoa muito chocada a olhar para mim.
“Uma casa de banho!” Eu a tentar lembrar-me de palavras. “Toilette, com sanitas e papel higiénico!” A senhora deve ter pensado que estava a gozar com ela, mas disse-me onde era e acrescentou que casa de banho, no Brasil, é “banheiro”. Digo-vos, fiquei mesmo chateada com ela, como se banho fosse muito diferente de banheiro. Ela não queria era raciocinar! Enfim.

4. Fim do treino, um capoeirista despede-se de nós e diz “Bem, vou queimar o chão galera!” Devo ter ficado com uma cara muito estranha pois ele olhou para mim e disse: “Vou dar o fora, vou embora, Portuguesa!”. Eu respondi: “Ah está bem, então até mais!” Decidi acabar com uma expressão brasileira para atenuar aquele meu total desconhecimento de que queimar o chão é ir embora.

5. Dia 10 de Junho é feriado em Portugal então não fui trabalhar. Quando cheguei ao treino de capoeira comentei com o pessoal porque é que era feriado, ao que um me responde: “Legal. Então você não foi trampar hoje!” Devo confessar que me parti a rir. O único termo que conheço semelhante a este é trampa, de cócó, mas aqui no Brasil quer dizer trabalhar! Podem portanto imaginar a situação!

6. “Vamos pegar a carona do busão?” Quando se está numa parada de ônibus à chuva, ouvimos este tipo de baboseira! Traduz-se assim: “Vamos apanhar boleia do autocarro?” Quando se está numa paragem de autocarro à chuva, ouvimos este tipo de parvoíces!

7. Que tenho eu vestido? Um casacão, uma camiseta, umas ganga, uma calcinha e peúga. Mistura-se tudo, português, espanhol e sabe-se lá mais o quê!

8. Fui ao multibanco, pois precisava de levantar dinheiro. Qual não é a minha surpresa quando na caixa aparece: “Sacar dinheiro da Conta-corrente!” Em Portugal qualquer ladrão ficava muito feliz, já que o incitava a roubar o dinheiro da caixa. Mas mais engraçado ainda é quando é preciso “sacar a gaita”, ou seja, levantar dinheiro. Não é nada do que estavam a pensar!

9. Instruções de como se engata uma menina (rapariga é prostituta!) no Brasil: Você vai pra balada dançar um forró, e você pergunta para uma menina se quer dançar, ou simplesmente dá um selinho nela. Se rolar, você pode ficar dançando ou pedir para colar no seu mocó! Mas não pode ser cricri ou vai ser russo de conseguir a atenção dela. Se você for um pão é mais fácil de conseguir, mas toma cuidado para não apanhar um bacalhau ou uma sandalinha.
Traduzindo para o Português de Portugal: Vais para uma discoteca dançar forró, e perguntas a uma rapariga se quer dançar, ou simplesmente dás-lhe um bate-chapas. Se ela curtir, podes continuar a dançar com ela ou convidá-la para ir para casa contigo! Mas não podes ser chato ou então fica difícil de conseguires a atenção dela. Se fores bonito é mais fácil de conseguires alguma coisa, mas tens de ter cuidado para não apanhares uma mulher feia ou lésbica.

10. Palavras soltas:
celular = telemóvel
xícara = chávena
bala = rebuçado
trem = comboio
pedestre = peão
suco = sumo
fila = fila ou bicha
água sanitária = lixívia
açougue = talho
espalhar frango = desequilibrar
rasgado = definido
dar um tapa/fumar maconha = fumar um charro
barba-ovo = engraxador
careta = conservador
geladeira = frigorífico
Aú = Roda
Bananeira = pino
Queda de rim = freeze no chão
bico de papagaio = freeze em pino

E deixei as duas melhores para o fim!

11. Estou na capoeira e pergunto a um dos meus companheiros qual é a sua profissão e diz ele “Eu sou polícia! É assim que se diz em Portugal?”
Eu respondi: “Sim é. Ou então para utilizar um termo mais calão, bófia!”
Ele ficou muito indignado e com um tom ofendido disse: “Está me chamando gay?”
Eu fiquei paralisada. “Não! Claro que não, só que bófia em Portugal é polícia.”
Bem, descobri que a palavra bófia é muito parecida com a palavra brasileira bofe, que quer dizer gay! O polícia aqui no Brasil também é chamado de coxinha ou tira.

A última para acabar:

12. O meu nome é Ana, mas em Portugal a minha alcunha é Xana, que, no Brasil, quer dizer vagina! Desculpem a agressividade, mas é verdade. Quando chegamos ao Brasil temos de preencher uma papelada para a polícia federal e ir até lá para adquirirmos o nosso cartão de residente temporário. No meu email, algures tem a palavra xana e eu nunca mais me lembrei desse pormenor. Então imaginem a minha pessoa sentada em frente a uma funcionária da polícia federal à espera do passo seguinte, quando ela começa a olhar para mim corada e claramente atrapalhada com alguma coisa. Ora olhava para mim ora para o papel. A certa altura fartei-me e perguntei-lhe qual era o problema. Ela respondeu baixinho: “O seu email…”
“É só por causa do e-mail? Oh não se preocupe. Xana em Portugal é um nome normal sem o sentido que vocês têm.”
Depois da senhora se rir na minha cara acabou por dizer: “Se você for chamada à Polícia Federal não se assuste, é por causa do e-mail!”
Viva eu, estou sempre em grande nestas coisas!

Pessoal, espero que tenham gostado. Todas estas magníficas situações aconteceram e tiveram, de facto, a sua graça. Peço desculpa se não capturaram toda a essência do que foi descrito, mas é sempre diferente ler a descrição e a assistir à situação.

Até breve.

Ana

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O fim de semana de Portugal / Portugal weekend

Olá Pessoal!

Lá estava eu a provar o vinho como uma profissional, sem qualquer ideia do que estava a fazer. Não tem grande importância na realidade, pois provei muito vinho e a tarde passou a correr. Por volta das 18h fomos para o recinto, pois os concertos estavam a começar. Assisti ao concerto de Fado da Gisela João. Foi fixe. A parte engraçada foi o vinho às voltas no meu estômago, e a cantora ter cantado e dançado o Vira durante o concerto. De alguma forma, tudo aquilo me pareceu extremamente divertido.

Mas o concerto não foi a melhor parte. O céu era de um azul escuro e no horizonte a lua e duas estrelas formavam um triângulo. As pessoas estavam felizes, as árvores podiam dançar ao som da música e o tempo estava perfeito para aquele sábado à noite.

Por volta das 21h fui dormir a casa da Bia. Comemos pizza e ficámos imenso tempo na conversa a falar sobre o Inov, o programa de estágios. Apercebemo-nos que, apesar de não ser tudo perfeito, esta é uma oportunidade única, que muita coisa pode acontecer, e que estamos a crescer e a mudar (esperemos para melhor).

No domingo, voltámos ao Ibirapuera. Assistimos ao concerto dos Black Mamba. Uma senhora estava a divertir-se imenso na primeira fila; a Mariana estava apaixonada e a recitar todas as obscenidades que lhe vinham à cabeça sobre o vocalista; eu estava a tentar manter-me à sombra que o sol estava a queimar, e a Bia estava a divertir-se com tudo aquilo.

Porque sentimos imensas saudades de casa, voltámos a comer uma Bifana. A Mariana foi a mais corajosa: pediu uma bifana e uma alheira.

Decidi voltar para o bairro de Pinheiros para comer um grande gelado com a Bia, um gelado delicioso de avelã.

Precisava de ir às compras. Mas ao domingo está tudo fechado, incluindo os supermercados. Ainda bem que tinha ovos e salsichas no frigorífico. Vi um filme e aproveitei as minhas últimas horas de fim de semana.

Até breve.

Ana

Hi guys!

There I was tasking wine like a pro, with no idea of what I was doing. It doesn’t matter really, I tasted a lot of wine and so the afternoon passed away quite quickly. Around 18h we went outside, the concerts were starting. I watched the Fado concert of Gisela João. It was cool. The funny thing about it all was the wine in my stomach, and the fact that the singer was singing Vira some time during the concert. Somehow it made everything extremely funny to me.
But the concert was not the best part. The sky was dark blue and in the horizon we could see the moon and two stars below, forming a triangle. The people around were happy, the trees could dance to the sound of the music and the time was perfect for that Saturday night.
Around 21h or something I went for a sleepover in Bia’s House. We ate pizza and stayed for an hour talking about INOV, the internship program. We realized that, even tough there are some things that are not perfect, this a unique opportunity, that a lot a things can happen, and we are growing and changing (let’s hope for the better).
On Sunday, we woke up and returned to Ibirapuera. We watched the concert of Black Mamba. An old woman was having the time of her life on the front row, Mariana was in love telling all the obscenities she could remember about the vocalist, I was trying to keep in shade, for the sun was way high, and Bia was having fun with all.
Because we miss home terribly much, when the concert was over, we went to eat another Bifana. Mariana was the bravest: she ordered bifana and alheira.
After that I returned to the neighbourhood of Pinheiros, to eat some ice-cream with Bia, a delicious one of hazelnut.
I needed to go shopping. On Sunday everything is closed and so is the supermarket. Thank god I had some eggs and sausages to eat. I watched a movie, enjoying the last hours of the weekend.

See you!

Ana