The way to work / O caminho para o trabalho

Hi Guys!

Let’s get right to the point.
My way to work is quite fascinating if you take some attention to what is happening around you. You can check the map if there’s any trouble, so you don’t get lost.
Every morning my alarm clock rings first at 6h55, and two more times every 5 minutes. Everyone that knows me also knows I love to stay in bed and usually fall asleep again, which actually happens most days. So I get up a little late and spend the next 15 minutes running through the house like a fool. I do everything that I have to do and go to work.
I leave my lovely building in the Street Henrique Monteiro and turn right. The first thing that I see is a parking lot, always a wonderful view to start the day. Passing some restaurants, the street ends and I turn right again to the street Maria Carolina. I pass through some men who I have no idea what they do, except that it involves bricks, lots of them. Following I pass through a homeless men that sleeps with a white plastic to protect himself. Most of the times he looks like he is dead, and every time I see him I fear that someday I might find him that way. I believe for what it looks that he ruined is life with drugs. But who am I to make assumptions of that kind.
I say “good morning” to one of my neighbours walking his small black dog, turn my mp3 on to get the energy that I need to reach work and turn left to follow Rebouças Avenue. Cars everywhere, it’s already rush hour, with an entrance to a tunnel, it’s always traffic on that part of the street.
I pass through the perpendicular street Av. Pedroso de Morais and continue following Av. Rebouças. Every day I check the storefront of this dress shop to laugh of the horrible taste that some people have. Not even one single dress since I first pass through there was decent. And the colours are my favourite part. One day I saw one who resembled vomit green. But please let us forget that.
The next stores are empty and in front of one of them, there are a couple of people that made an improvised home that smells like piss and dirt. Sorry for being so aggressive but it’s how it is. The worst part: its extremely rare to see them, normally at that time they are sleeping but the other day I saw the woman and she is pregnant. I think about what might happen to the child when is born and the future seems too cruel to be true.
I pass through R. Capitão Prudente, Rua Pontiguar Medeiros and Rua Dante Carrano with nothing special, except for abandoned houses, until I reach a store that sells home articles with a billboard saying that is time to use duvets! Are Brazilian People crazy? Its 25 degrees, sometimes more and they want to sleep with duvets?! Who understands?
Then I pass through an abandoned house which story I will never know, and where there are always people, including a lady that’s also (probably) homeless looking at her precious chest freezer and talking to herself. After seeing all this, my mood only gets better when I see the lady selling cake in the middle of the street. But I’ve never stopped there which is a shame! The cakes seem delicious. I might get up early to get the time to buy some cake.
I pass the street Capitão Antonio Rosa and wait for the traffic signal to change for green and I go the right side of Av. Rebouças. The street has no interruptions for a while and I walk almost in automatic pilot. The stores around are mainly of wedding dresses, cars and parking lots. The traffic on my left side is so huge that I walk faster and reach the end of the street before them. People seem distracted in the cars, also driving in automatic pilot.
I pass Joaquim Antunes street, and Cônego Eugenio Leite and finally I reach half of the way to work. The crossroad between Av Rebouças, street Henrique Schauimann and Av Brasil: Right in the middle there’s Portugal Square, forgotten and ugly.
I turn right and follow Av Brasil.
The thing about Av. Brasil: it’s a central street, cars everywhere, and there are no stores, rather huge mansions turned into hospitals, offices, etc. Most of the houses are covered by walls, so it’s impossible to know what it hides. Nobody would even try to figure it out because of the barbed wire and security guards with big guns.
After passing the street Atlântica, I always see a dog walker, with at least 10 different dogs, all very calm and well behaved. I always smile at them, which makes me miss very much my own dog, Michael.
I pass through the street of Mexico, where the Portuguese consul lives, following some other streets with names of several countries in America, that’s why this region of São Paulo is called America Garden. Finally I can turn left in Canadá street. The first Consulate is the Spanish one, followed by two hidden mansions.
The number 324 of Canadá Street is the Consulate of Portugal in São Paulo. After approximately 40 minutes I arrive my destination of work, sweating! The problem about Brazil is the immense heat.
I say good morning to everyone and go to my office clean up and start working.

What a ride!
I’ll see you guys tomorrow!

Ana.

Olá Pessoal!

Hoje vamos directos ao assunto!

O caminho para o trabalho é um tanto fascinante se se tomar alguma atenção ao que se está a passar à nossa volta. Podem verificar o mapa se tiverem algum problema, assim não se perdem.
Todas as manhãs o meu alarme toca às 6h55, e repete mais duas vezes a cada 5 minutos. Todos os que me conhecem sabem que eu adoro estar na cama e que costumo adormecer, o que acontece a maior parte das vezes. Portanto levanto-me sempre tarde e passo os 15 minutos seguintes a correr pela casa como uma maluca. Faço tudo o que tenho a fazer e vou trabalhar.

Eu saio do meu maravilhoso prédio na rua Henrique Monteiro e viro à direita. A primeira coisa que vejo é um parque de estacionamento, sempre uma vista maravilhosa para começar o dia. Passando alguns restaurantes a rua acaba e eu viro à direita para a rua Maria Carolina. Passo por uns quantos homens, que não faço ideia o que fazem da vida, excepto que envolve tijolos, muitos tijolos. Seguindo, passo por um sem-abrigo que dorme com um plástico branco para se proteger. A maior parte das vezes ele parece morto, e sempre que o vejo tenho receio que um dia o encontre dessa forma. Eu acredito que, pelo que vejo, ele arruinou a vida dele com drogas. Mas quem sou eu para assumir isso.

Digo “bom dia” a um dos meus vizinhos que passeia o seu cão pequeno e preto, ligo o mp3 para conseguir energia para chegar ao trabalho e viro à esquerda para seguir a Av. Rebouças. Carros por todo o lado, já que é hora de ponta, numa entrada para um túnel, há sempre tráfego naquela parte da rua.
Passo a perpendicular Av Pedroso de Morais, e continuo a seguir a Av. Rebouças. Todos os dias aproveito para olhar para a montra de uma loja de vestidos e rio-me do mau gosto que algumas pessoas têm. Desde que passei pela primeira vez ali, ainda não vi um único vestido decente. E as cores são a minha parte favorita. Um dia vi um vestido com cor que parecia um verde de vómito. Mas, por favor, vamos esquecer isso.

As lojas seguintes estão vazias e em frente a uma delas, está um casal que fez daquele sítio uma casa improvisada, que cheira a mijo e a terra. Peço desculpa por ser tão agressiva, mas é tal e qual a descrição. E a pior parte: é muito raro vê-los, pois normalmente à hora a que passo eles ainda dormem, mas no outro dia passei pela mulher e ela está grávida. Penso no que poderá acontecer à criança que está para nascer e o futuro parece-me demasiado cruel para ser verdade.
Passo pela Rua Capitão Prudente, Rua Pontiguar Medeiros e Rua Dante Carrano sem nada de especial, salvo as casas abandonadas, até chegar a uma loja que vende artigos de casa, com um cartaz a dizer que é tempo de usar edredons! Mas os Brasileiros são malucos? Estão 25 graus, às vezes mais, e eles querem dormir com edredons?! Não se percebe!

Depois passo por uma casa abandonada cuja história nunca vou conhecer, mas onde há sempre pessoas, incluindo uma senhora, que provavelmente também é sem-abrigo, muito focada na sua arca frigorífica e a falar consigo própria. Depois de ver tudo isto, o meu humor só fica melhorzinho quando vejo uma senhora a vender bolos no meio da rua. Nunca parei lá, o que é uma pena. O bolo parece-me delicioso. Talvez acorde mais cedo para comprar uma fatia.
Passo a rua Capitão Antonio Rosa e espero que o semáforo fique verde e vou para o lado direito da AV. Rebouças. A rua não tem qualquer interrupção em largos metros e eu avanço quase em piloto automático. As lojas resumem-se a estabelecimentos de vestidos de casamento, carros e parques de estacionamento. O tráfego do meu lado direito nunca mais acaba, e eu consigo caminhar mais rápido e chegar ao fim da rua primeiro. As pessoas dentro dos carros parecem distraídas, também em piloto automático.

Passo a rua Joaquim Antunes e a Cônego Eugenio Leite e finalmente chego a meio do caminho. O cruzamento entre a Av. Rebouças, a rua Henrique Schaumann e a Av. Brasil: mesmo no meio está a Praça de Portugal, esquecida e feia.
Viro à direita e sigo pela Av. Brasil.
Factos sobre esta avenida: é uma rua central, carros por toda a parte, e não existem lojas, antes grandes mansões transformadas em hospitais, escritórios, etc. A maior parte das casas está envolta em muros, então é impossível saber o que escondem. Ninguém iria tentar sequer saber por causa do arame farpado e dos guardas com grandes armas.
Depois de passar a rua Atlântica, sempre vejo um homem a passear pelo menos 10 cães diferentes, todos muitos calmos e bem comportados. Sorriu sempre para eles, o que me faz sentir muitas saudades do meu cão, Michael.

Passo pela Rua do México, onde o Cônsul Português reside, seguindo mais umas quantas ruas com nomes de países na América. É por isso que esta região de São Paulo se chama Jardim América. Finalmente viro à direita para a Rua do Canadá. O primeiro Consulado é o da Espanha, seguido de 2 mansões escondidas.
O número 324 da Rua do Canadá é o Consulado de Portugal em São Paulo. Depois de aproximadamente 40 minutos eu chego ao meu destino de trabalho, a suar! O problema do Brasil é o imenso calor!
Digo bom dia a toda a gente e vou para o meu cubículo limpar o suor e começar a trabalhar.

Que viagem!
Até amanhã

Ana

How I found Capoeira / Como encontrei a capoeira.

Hi guys! How is everybody doing?
Despite having a lot of energy, I must tell you that today all I want is some beauty sleep! I’m at work right now and I’m trying very hard to stay awake and actually have some work done. But considering that’s kind of difficult this moment, I decided to come here and tell the story of how I found Capoeira.

When we arrived in São Paulo, we (me and the people that came with me) had a lot in our minds. We had to find a suitable hostel where we wouldn’t be afraid our things to disappear out of the blue, and eventually, we had to find a house, even though we didn’t know anything about the city.

So, imagine three lost people, that didn’t know each other, but, thank god, got along, hanging around from one street to another in the region of Pinheiros, São Paulo, knocking on every door that would have a sign to rent, asking if there was any apartment available for three people at a reasonable price.

Well, this lovely routine lasted for 2 entire weeks, where we had to go to work and find a house in spare hours. To all this, add rain and no place to wait for it to stop. We got soaked a couple of times, but it was no big deal. The weather was, at the same time, so hot, that the clothes dried almost instantaneously!

Two weeks past, we found a house, in the region of Pinheiros, near the famous street Brigadeiro Faria Lima (please check the map!), and all of sudden I found myself at home!

I had a bed, a very comfortable one by the way, and a closet to put my clothes, and some shelves to put my books and everything was falling in to its place. A routine of work/home was established and I started to feel bad about myself. Is this going to be my life? No! I had to find something to make as a hobby! I was still getting to know all the Portuguese people that came with me, so I didn’t enjoy the city as much as I wished to.
Until a very special day came! On March the 20th, my internship coordinator organized a gathering in the Portuguese Consulate, for all the trainees in the São Paulo Region get to know each other. There I heard the first compliment to my work as a trainee, which got me all excited, and then I got to know Ana Rita, who is staying in São José dos Campos, a city a few km from São Paulo. On the same night, a person, that I thought didn’t like me at all, become a pretty good friend of mine. You can imagine who that is: Ana Beatriz!

That weekend we took the time to show Ana Rita a bit of São Paulo. It was too much fun to be true! On Sunday, we decided to go to Ibirapuera Park, an endlessness of green, trees and lake!
There, Bea and I discovered that we could be great friends, I mean, we both love Tim Burton. There’s no doubt that we were meant to be friends!
Some concerts were happening in the Park, so there was a huge amount of people there. I don’t remember how we got to one place and there’s a circle of people listening to a different music and dancing. I got so close of curiosity that I could see everything, people that looked like they were fighting with each other… Capoeira!
“Ei, do you want to try Capoeira with me?” Bea asked me.
The week after, I spent some time researching about Capoeira, and where we could learn it. I found two schools that looked very cool, but it was expensive and only 2 days a week for just an hour! I didn’t give up though. I wrote on google maps “Capoeira, Pinheiros, São Paulo”. And there it was “Casa Senzala”, 3 minutes from my house. And I thought: “Awesome!”
I went the day after to talk to a dark, tall man, with a very nice smile which turned out to be the teacher, or, on this case, the master himself! Everything was great about the school. Two days later, Bea and I were jumping around in class learning the moves of Capoeira. The next day, a Friday, we were participating in the Circle of Capoeira, and I fell in love with it, and continued practicing ever since.

Hope you guys liked the story!
It certainly made an important memory for me.
Peace and Hugs, as the master says!

Ana

Olá Pessoal! Como está tudo por aí?
Apesar de ter muita energia, tenho de confessar que hoje só queria dormir! Estou no trabalho neste momento e estou a tentar manter-me acordada e fazer alguma coisa de produtivo. Mas considerando que está a ser muito difícil, decidi passar pelo blog para vos contar a história de como encontrei a Capoeira.

Quando chegámos a São Paulo, nós (eu e os meus colegas) tínhamos muito na nossa cabeça. Tínhamos de encontrar um hostel onde não tivéssemos receio de que as nossas coisas desaparecessem, e tínhamos eventualmente de encontrar uma casa, apesar de não conhecermos nada acerca da cidade.

Imaginem então 3 pessoas desorientadas, que não se conheciam de lado nenhum, mas que até se estavam a dar bem, a circular de uma rua para a outra na região de Pinheiros, São Paulo, a bater em todas as portas que tivessem um sinal de aluguer, a perguntar se havia algum apartamento disponível para três pessoas a um preço razoável.

Bem, esta rotina maravilhosa durou 2 semanas, em que tínhamos de ir trabalhar e encontrar casa nas horas vagas. A tudo isto, adicionem chuva e nenhum sítio para esperarmos que ela parasse. Ficámos encharcados umas quantas vezes, mas sem grandes dramas. O tempo estava, ao mesmo tempo, tão quente, que as roupas secavam quase instantaneamente!

Duas semanas depois, encontrámos uma casa, na região de Pinheiros, perto da famosa rua de Brigadeiro Faria Lima (por favor verifiquem o mapa!), e de repente eu senti-me em casa!

Tinha uma cama, uma cama muito confortável, um armário para pôr as roupas, e algumas prateleiras para pôr os meus livros, e tudo parecia estar a encaixar-se. Uma rotina trabalho/casa formou-se e eu comecei a sentir-me um pouco mal. Ia ser isto a minha vida? Não! Eu tinha de arranjar qualquer coisa para fazer como hobby! Ainda estava a conhecer os portugueses que também vieram para São Paulo, então não estava a aproveitar a cidade tanto quanto desejava.

Até que chegou um dia muito especial! A 20 de Março, o meu coordenador de estágio organizou um encontro no Consulado de Portugal, para que todos os estagiários da região de São Paulo se pudessem conhecer. Lá eu ouvi o primeiro elogio ao meu trabalho como estagiária, o que me pôs logo muito mais entusiasmada, e conheci a Ana Rita, que está a viver em São José dos Campos, uma cidade a alguns km de distância de São Paulo. Nessa mesma noite uma pessoa, que pensava que não gostava absolutamente nada de mim, tornou-se grande amiga minha. Podem adivinhar quem é: a Ana Beatriz!

Nesse fim de semana dedicámos o nosso tempo a mostrar à Ana Rita São Paulo. Foi demasiado divertido para ser verdade. No domingo decidimos ir ao Parque Ibirapuera, uma imensidão de verde, árvores e lago!

No Parque, a Bea e eu descobrimos que podíamos ser amigas, do género, ambas adoramos Tim Burton. Não há dúvidas que estávamos destinadas a ser amigas!
Alguns concertos estava a decorrer no Parque, então tinha muita gente amontoada. Não me lembro como é que chegámos a um local e está uma roda de pessoas a tocar uma música diferente e a dançar. Aproximei-me tanto com a curiosidade a pulsar que pude ver tudo, pessoas que pareciam estar a lutar uma com a outra… Capoeira!
“Ei, queres experimentar Capoeira comigo?” Perguntou-me a Bea.

Durante a semana seguinte, passei algum tempo a pesquisar sobre a Capoeira, e onde podia aprender. Encontrei duas escolas que me pareciam boas, mas eram caras, com aulas 2 vezes por semana de apenas uma hora! Mas não desisti. Escrito no Google maps “Capoeira, Pinheiros, São Paulo”. E lá estava “Casa Senzala”, a 3 minutos de minha casa. E pensei: “Altamente!”

No dia seguinte estava à porta da escola a falar com um homem negro e alto, com um sorriso muito simpático, que acabou por se identificar como o professor, ou, neste caso, o Mestre! Tudo me parecia perfeito na escola. Dois dias depois a Bea e eu estávamos aos saltos na aula a aprender os movimentos de capoeira. No dia seguinte, uma sexta-feira, estávamos a participar numa Roda de Capoeira, e eu apaixonei-me por aquilo e tenho praticado desde então.

Espero que tenham gostado da história!
É com certeza uma boa memória para mim.
Paz e abraços, como o Mestre diz!

Anamapa